Outros Críticos Publicações

15 de fevereiro de 2019 /

Esse texto emerge de alguns acontecimentos que estão me atravessando nos últimos tempos: o atual momento político no Brasil, minhas vivencias no mestrado na UFBA, a experiência como espectadora do espetáculo “Resistir”. O que tange todas elas? O corpo como política. Uma discussão sobre repetição e sentido. E a resistência como movimento, atuando diante de um sentimento de mal estar. Na minha última coluna no site Outros Críticos falei de improviso. Escrevi a um só tempo.  Em um fluxo contínuo,…

15 de fevereiro de 2019 /

por Bernardo Oliveira e Fred Coelho. Por iniciativa de Mário de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo, a Missão de Pesquisas Folclóricas percorreu o Norte e o Nordeste do Brasil durante o ano de 1938. Em busca de registros de manifestações culturais, particularmente de dança e música, trouxeram na bagagem gravações em áudio e imagens dos estados de Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Pará e Minas Gerais. Entre os registros mais interessantes, é possível citar o…

10 de fevereiro de 2019 /

Não boia a carniça na superfície do mar, em cujo fundo permanecem as pérolas? Excerto do “Livro das Mil e Uma Noites”1. 10:38. O sol perfazia sua inexorável jornada em direção ao zênite num céu do mais puro azul. Lá do alto, o astro-rei despejava implacavelmente sobre Olinda todo seu esplendor luminoso e parecia zombar da agonia daquelas risíveis criaturas que lá embaixo enfrentavam o calor de sua força no vai e vem das ladeiras. Do meu ponto de vista,…

10 de fevereiro de 2019 /

“Estamos nos aproximando cada vez mais de um som-ruído”, escrevia Luigi Russolo, ainda em 1913, em seu manifesto “The Art Of Noises”. Para o pintor e compositor futurista, as máquinas da revolução industrial trouxeram com elas o ruído para o espaço sonoro: “Não somente na atmosfera estrondosa das grandes cidades, mas também no campo, que até ontem era normalmente silencioso, as máquinas hoje criaram tanta variedade e concorrência de ruídos, que o som puro, na sua exiguidade e monotonia, não…

9 de fevereiro de 2019 /

“Como procurar fendas numa sociedade que se tornou um programa de computador? Como desprogramar essa máquina?”, se pergunta Leonardo Gonçalves, o Negro Leo, em entrevista ao Canal Curta! Sobre seu novo disco, Niños Heroes. A Terra parece lenta demais para o computador. Enquanto a ebulição do “mistifório das velocidades sexuais” e das “velocidades rápidas cheias de nexos policiais” proliferam fenômenos e seres híbridos, que embaralham os polos de natureza e cultura e cronologias, a modernidade persiste em seu trabalho de…

6 de fevereiro de 2019 /

por Carlos Gomes. “Nascer não é antes, não é ficar a ver navios, Nascer é depois, é nadar após se afundar e se afogar.” SARGAÇOS, Wally Salomão temas e fissuras De dentro da sala pouco aconchegante do local de trabalho da personagem a quem iria entrevistar, e que tratarei, neste texto, simplesmente como Ela (pronome pessoal que muitas vezes se acomoda aos corpos por obstinação e força de vontade sem tamanho, como veremos no decorrer dessa escritura, que é como…

20 de novembro de 2018 /

uma crina platinada, ruído, corpo em movimento. pés, patas, animal pesado, canção músculo firme, uma cavala. mas a voz de bicho barulho é doce doce como num espelho diante das vozes, do coro de olhos e suores. – alguém há de gritar “sapata” – alguém há de cantar “rainha”. como espelhos, sim. o grito na canção popular pode ser movido também por palavras. ruídos constroem imagens, poéticas, invenções. caetano, chico, as mulheres ficções, os homens ficções, podem ser reinventados. – …

15 de novembro de 2018 /

“O livro da imagem” é um dos mais belos e fascinantes monumentos à “variação universal” (Tarde, Deleuze), uma tapeçaria irregular modulando quadros, músicas,  textos e filmes (“arqueologia” por Nicole Brenez), meticulosamente costurados em processo de composição e decomposição. Intensa liberação de modos e ritmos, dinâmicas e sensações. “Todas as coisas, isto é, todas as imagens, se confundem com suas ações e reações: é a variação universal.” O movimento não se distingue do movido e do movente, ele se confunde com o…

28 de outubro de 2018 /

O tempo para mim significa esticar os braços o mais distante possível e sentir como cada um dos meus músculos me parte em mil pedaços, ficam dormentes, e deixar que eles apenas se movam e me joguem na cama, e me deixem sozinha, até que acabe o dia. Minha conexão com o mundo me animaliza, meu único semelhante é um cachorro preto, que late toda noite junto a seu prato, por um pouco de comida. Quando estou sozinha deixo que…

14 de setembro de 2018 /

O projeto de crítica cultural Outros Críticos, idealizado pelo editor Carlos Gomes e a designer Fernanda Maia, completa 10 anos de atividades em 2018. Para comemorar essa data, lançaremos em setembro o livro O outro é uma queda (Vários Autores, Outros Críticos, 2018, R$ 35,00, p. 240), que reúne textos inéditos de Fabiana Moraes, Bernardo Oliveira, Carol Almeida, Priscilla Campos, GG Albuquerque, Marcelo Coutinho e Amanda Coutinho, além de textos de mais 30 autores que já passaram pelos diferentes projetos…

20 de março de 2018 /

Foto de capa: Priscilla Buhr. Da esq. para dir. Beatriz Melo, Mabuse, Paulo Marcondes, Fernanda Maia, Carlos Gomes e Jomard Muniz de Britto. Na MauMau Galeria. Reconhecidamente distintos, Tropicalismo e Manguebeat apresentam pontos em comum em suas trajetórias na história da música brasileira. É o que apresenta o pesquisador e editor do Outros Críticos, Carlos Gomes, em seu novo livro Canções iluminadas de sol, estabelecendo um processo comparativo entre os dois movimentos culturais por meio das músicas de Caetano Veloso,…

19 de março de 2018 /

Imagem de capa: Na rede de crianças autistas formada pelo poeta e etólogo francês Fernand Deligny, a comunicação verbal era substituída por ferramentas visuais como desenho de mapas, fotos e filmes. Uma forma de registrar e interpretar os gestos e divagações dessas crianças. Grafismos como este, indicavam por linhas a movimentação dos corpos das crianças autistas e dos adultos presentes, além de localizar objetos no espaço de convivência das redes de acolhimento. Eram traçadas em transparências sobrepostas a mapas dos…

24 de fevereiro de 2018 /

Se entendemos, como foi colocado anteriormente, que uma das grandes armadilhas da modernidade se fundamenta na dualidade corpo-mente (primeira justificativa para uma sucessão de atrocidades, que se inicia com a escravidão dos povos do continente africano e as chacinas  nas Américas, se consolida na eficiência tecnicista-genocida do nazismo e permanece ainda hoje em muitos aspectos na exploração neoliberal mundo afora), a pergunta reverbera: é possível um outro modelo de pensamento-ação? Nessa segunda parte de nosso texto, proponho uma variação ao…