Outros Críticos Publicações

6 de julho de 2017 /

Uma série de ações, que incluem desde show, debates e oficinas, fazem parte do “Ciclo de Literatura Afetiva, Expandida, Contemporânea – De Clarice ao pontocom”, idealizado pela produtora Izadora Fernandes e com realização da Formata Cultural. O ciclo começou ontem à noite, com apresentação musical do cantor, compositor e pesquisador Luiz Tatit, de São Paulo. A programação completa pode ser conferida no site formata cultural. tatit e a canção ordinária, quase palavra ao pé do ouvido sobre afetos que se…

30 de junho de 2017 /

Em 1922, com a chegada dos Turunas Pernambucanos à cidade do Rio de Janeiro, inicia-se a segunda onda de música nordestina a tomar conta do Sudeste do país: uma consequência direta do sucesso e influência de artistas como João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense no ambiente cultural carioca, desde a primeira metade dos anos 1910. O auge desta onda se dá entre os anos de 1927 e 1929, com a chegada à capital federal de mais dois conjuntos igualmente…

28 de junho de 2017 /

A pedido do jornal argentino La Nación, David Toop elencou 10 sons que definem a vida contemporânea. Periquito-de-colar “Nos últimos anos um bando de periquitos-de-colar foi se estabelecendo em um parque ao norte de Londres. Ouvir o seu grasnado tem algo de perturbador, como se de repente tivéssemos sido transportados para algum lugar do sudeste asiático. Trata-se de uma espécie exótica, como os pássaros carpinteiros, do tipo que expulsa as aves nativas e faz subir a pressão arterial dos amantes…

22 de junho de 2017 /

Tom Jobim e Vinicius de Moraes compuseram A Felicidade, especialmente para a trilha sonora de Orfeu Negro, filme do diretor francês Marcel Camus lançado em 1959, premiado com a Palma de Ouro em Cannes e com o Oscar de melhor filme estrangeiro. Segundo Ruy Castro em Chega de Saudade, seu livro sobre a história da bossa nova, a canção foi composta contra a vontade de Tom, que não via a necessidade de criar uma nova trilha para o filme, já…

5 de junho de 2017 /

As tradições populares surgem para atender necessidades fundamentais daqueles que delas participam. Se formatam pelos repetitivos fazeres ao longo do tempo e guardam preciosos princípios que, no meu entender, estão intimamente conectados com os princípios que regem a natureza. O que me leva a óbvia, mas também esquecida e negligenciada constatação de que nós, seres humanos, também somos natureza. Esse esquecimento e negligenciamento da nossa própria natureza e da conexão com a natureza como um todo é a razão de…

5 de maio de 2017 /

Difícil principiar esta escrita, já tantas vezes enunciada e materializada em fala nas tantas situações de sala de aula, de elucubrações de boteco; nas discussões após apresentações de trabalhos em congressos acadêmicos e bate-papos após espetáculos teatrais. E me delongo neste introito justamente para ganhar tempo e, quem sabe, alguma maior disposição do leitor (Afinal: “palavras sedutoras/ são caminho/ de cativeiro”, Pimentel, Renata. 2015: pg84. In: Denso e leve como o voo das árvores). Já me anima fundamentar um argumento…

20 de abril de 2017 /

Este texto é o primeiro de uma série de oito artigos que propõem o levantamento de uma discografia da música produzida por compositores e intérpretes nordestinos, partindo da fase inicial da indústria fonográfica brasileira, em 1902, e chegando até o final do século XX. Não se trata de uma lista de “melhores discos”, nem mesmo de uma discografia técnica e definitiva sobre o tema – o que seria dificílimo, ou mesmo impraticável, com o espaço e os recursos disponíveis em…

19 de abril de 2017 /

CAMINHAR* A arte seria garantia de sanidade? Desculpe-me, madame Bourgeois, não estou certa disso. A vida, e a espécie humana herdeira de emanações interestelares, precede a arte. Pois, se a arte é via para bem-estar e alívio imediato, é também indício da existência limitada em que nos metemos. Parece simpática, e lógica, a ideia de que toda prática artística tenha como ponto de partida uma intenção existencial. Nesse sentido, a arte antes de produzir objetos carregados (signos), é uma forma…

2 de abril de 2017 /

Me pediram para escrever um ensaio para essa tão ilustre edição #12 da revista Outros Críticos, mas não qualquer ensaio, um texto que verse sobre a “arte” e|na|pela|pra “periferia”, uma vez que não poderia ter sido escrito por outra jornalista. Desejo então falar do meu lugar próprio, meu lugar de fala sem subterfúgios  ─ mesmo não estando em casa agora, mas em Ouro Preto – MG. “Suburbana mas cosmopolita”, me apresento; portanto, mesmo que não escreva da Travessa Vila Velha,…

24 de março de 2017 /

estava estudando as culturas aborígenes e fiz o meu primeiro didjeridu com um amigo, aqui em casa mesmo. daí fui me interessando pelas histórias das culturas em relação aos instrumentos musicais e fui colecionando contos e mitologias que sempre remetem a uma coisa superior, mágica, ou a criação de alguma coisa. eu sinto que a música tem esse lado de transcendência, pois além de forma de expressão, é principalmente uma maneira diferente de você se comunicar consigo mesmo. (…) não…

21 de março de 2017 /

Boa noite pra quem chegou Boa noite pra quem vai chegar Peço licença ao senhor Dono desta casa pra poder entrar Alegria e gratidão de fazer parte desse espaço que faz um contraponto fundamental nos atuais dias de golpe da nossa nação. O que normalmente registro em palavras escritas está muito ligado ao meu movimento pessoal e ao meu momento atual. E também à crença de que pode fazer eco no outro e por isso voltar pra mim, se potencializar…

17 de março de 2017 /

A mais bela frase já pichada num muro é a seguinte: “Sous les pavés, la plage.” É como dizer: o mais belo plano do cinema é aquele do varal de roupas balançando no vento em Ordet, de Dreyer. Ou que a coisa mais linda feita com tintas foi a tela Sobre a cidade (1924), de Marc Chagall. Ou que nada, nada mesmo, no rock, pode ser comparado à introdução de Sympathy For The Devil, algo que acontece ali, logo antes…

11 de março de 2017 /

De tempos em tempos um antigo questionamento nos assombra (como os sons da casa à noite quando estamos sozinhos): de que forma podemos compreender o nosso tempo presente, com que ferramentas conceituais, que instrumentos podemos lançar mão para dar conta da complexidade de fenômenos que somados, costurados, entretecidos e sobrepostos compõem o que percebemos como nossa realidade? Com essa intenção em mente, o exercício que proponho ao leitor nesse texto (dividido em duas partes) é livremente baseado no método de…