Tag: juvenil silva

6 de outubro de 2014 /

por Jeder Janotti Jr. Tanto o rock’n’roll quanto o teatro são dispositivos de captura. Cada um a seu modo embalam sonoridades e atenções de formas, usualmente, diferentes. Se os shows de rock acionam poéticas que envolvem consumo de cervejas e muito burburinho, o teatro é um templo cujo foco é a atenção densa ao que está sendo dito, cantando, interpretado. Mesmo que boa parte dos encontros entre rock e teatro seja engolido pela sisudez da ribalta (vide os concertos sinfônicos…

11 de fevereiro de 2014 /

por Jeder Janotti Jr. Vivemos tempos fugazes em que modismos cults e tendências udigrudis não duram o tempo de um trago. Beto, aquele, ser abjeto e esquivo, que ousou rondar as vidinhas insones das culturas musicais dos arrecifes foi decretado como desaparecido justamente quando é reconhecido pelas decadentes linhas dos jornais locais e nossos maravilhosos festivais. Não me venham com obituários, pois desparecido não é morto. É desabitado. O esfriamento das discussões em torno da tal cena, a dos Betos,…

31 de outubro de 2013 /

por Carlos Gomes. A partir do próximo domingo, o Boratcho Bar, localizado na Zona Sul do Recife, vai receber uma temporada de apresentações musicais da auto-intitulada Cena Beto, que segundo o release do evento, é formada por “um grupo de músicos, cineastas e produtores culturais que quer mais é tirar o Recife da cara”. Os shows serão em duplas, com músicos “tocando uma a música do outro ou acompanhado o outro tocar, e com um formato mais enxuto. Mais viola,…

21 de outubro de 2013 /

Já passava das 20h, quando o músico Juvenil Silva se aproximou de mim e do jornalista AD Luna para uma breve conversa, já que dali em instantes, as canções de Juvenil estariam à prova de uma plateia que, desde muito cedo, formava fila para garantir lugar nas primeiras cadeiras do Teatro da UFPE, no primeiro dia do festival No Ar Coquetel Molotov. Cícero e Rodrigo Amarante eram as apostas que explicavam o grande caracol que circundava o hall do espaço.…

15 de outubro de 2013 /

São diversas as formas e estratégias de preparação de um festival de música. “A noite do desbunde elétrico” e o “No Ar – Coquetel Molotov”, respectivamente, com 07 e 10 anos de existência, são opostos (seja pela proposta curatorial de ambas, estrutura, acesso à editais de fomento, patrocínios privados, público etc) que neste ano se atraem. Nessa décima edição do festival organizado pelo Coquetel Molotov, ambas as maneiras de lidar com a cena musical de Recife se encontram de maneira…

11 de outubro de 2013 /

Por ocasião do lançamento da coletânea musical do festival A noite do desbunde elétrico, organizada por músicos que compõem a recém batizada Cena Beto [sic], o músico Glauco César II fez o seguinte comentário sobre a composição de sua faixa presente na coletânea: “A música ‘Perigo no lixo’ surgiu depois de uma tentativa de divulgação de shows da banda por e-mail. Percebi que todos os e-mails enviados estavam indo para a lixeira dos destinatários. Comecei a sentir que estávamos entrando…

16 de agosto de 2013 /

Na segunda edição da indie(gesta) “Caranguejada do Beto”, o músico Ricardo Maia Jr. (Ex-Exus) deu a definição mínima e intensa do que diabos, afinal, seria a cena musical recifense autodenominada Beto: “Uma grande trolagem”. Eu, do lado de minha assumida rabugice, continuo a achar que são um bando de “desterrados”[1], habitantes sonoros do Recife que fogem da maldição da tradição cultural dita autêntica, suposto bom gosto travestido de ecletismo insosso (e sem molho). Foi pensando nisso que andei ruminando uma…

5 de agosto de 2013 /

A música contemporânea de Pernambuco se caracteriza por apresentar diversas nuances. Algumas dessas formas são legitimadas pelas festas populares, festivais de música, editais promovidos pelo Estado, iniciativa privada e, de certo modo, pela cobertura jornalística privilegiada a alguns desses segmentos. A defesa de território é uma marca inerente à cultura do estado. No entanto, a internet trouxe à tona uma gama de criadores, seja na área artística ou crítica, que atuam de forma caótica para além do mercado oficial. Articular…

29 de julho de 2013 /

Um nome é como um rótulo, serve para pensar quem somos ou quem não somos. Uma definição mínima de identidade é “noção de si”. Já uma cena musical é um grupo de músicos, fãs, produtores e críticos que se jogam em cena, dramatizam, teatralizam esse agir comum.  Não por acaso, músicos de uma cena sem nome, talvez do movimento dos sem cena, buscavam sua autorreferência. Foi com esse propósito, que em torno de uma brincadeira do músico Graxa, que Aninha…

9 de julho de 2013 /

Há uma geração em Recife que parece ter conseguido se livrar da maldição Mangue. Por trás de suas composições não há mais ecos de resgate de tambores, nem conexões pop-cult-cabeça com a nova MPB. Esse caminho sonoro engloba propostas diferenciadas e de diferentes matizes, não parece haver unidades ou centros a não ser o agrupamento de gente que quer fazer música e, na maioria dos casos, Rock. Uma das pontes que parece mais interessante para seguir esse caminho não passa…

2 de junho de 2013 /

O festival de música Desbunde Elétrico está fora dos padrões. Primeiro, porque parte dos músicos todas as etapas de produção e curadoria do evento. Em sua 7ª edição, a maioria das bandas já percebeu que não basta só fazer música e esperar por convites de festivais ou produtores, é preciso compor em todas as etapas do processo. Ninguém melhor do que o próprio artista para reconhecer em si mesmo as suas capacidades e limitações. O Desbunde Elétrico 2013 foi feito…

14 de maio de 2013 /

Festival – A Noite do Desbunde Elétrico   ATRAÇÕES Em carreira solo desde 2009, depois de passagem pelo Insites, Jean Nicholas veio pra confundir. Se de início seguia as trilhas do folk psicodélico, tônica de suas primeiras gravações e EPs, agora ele começa um novo ciclo, acompanhado pela Bueiragem. Seu 1º disco solo, em processo de gravação, promete “música com cara de século 21”: violões folk, guitarras de hard rock, batidas de rap, ecos de dub e samplers convivendo de…

7 de maio de 2013 /

Para quem está longe dos (Ar)Recifes, parece que nosso universo musical está restrito ao frevo do carnaval, ao patrimônio Mangue e aos três grandes festivais que marcam o calendário “turístico-musical” da cidade: Abril Pro Rock, Coquetel Molotov e Rec Beat. Recentemente, tivemos a abertura de nosso ano sazo-musical: o Festival Abril Pro Rock. Apesar do nome, o evento consegue unir roqueiros, popeiros e indie(gestos). Como é useiro e vezeiro no Recife, há um clima de bochicho numa crítica à curadoria…