Tag: fábio andrade

15 de dezembro de 2015 /

por Outros Críticos. A seção Crítica de Boteco é um espaço de discussão sobre temas abordados na revista. Com o mote “O artista veste máscaras”, nos encontramos com o ator e pesquisador Leidson Ferraz e com os poetas e professores de literatura Fábio Andrade e Felipe Aguiar, no Café do Brejo, na Rua do Lima, em Recife-PE. A conversa teve mediação de Fernanda Maia e Carlos Gomes e registro fotográfico de Camila van der Linden. POÉTICAS E MASCARAMENTOS Carlos: Eu…

2 de novembro de 2015 /

o artista veste máscaras – edição 9 – bimestral – outubro de 2015 DOWNLOAD GRATUITO AQUI VERSÃO IMPRESSA AQUI Expediente Edição: Júlio Rennó Projeto gráfico: Cécile Duchamp Artistas convidados: Manu Maltez / Ganjarts Jornalista responsável: Marina Suassuna (DRT 5556-PE) Textos: Carlos Gomes, Marina Suassuna e Karol Pacheco Mediação do debate: Fernanda Maia e Carlos Gomes Colaboradores: Bruno Vitorino, Fernando Athayde, Fred Coelho, Gabriel Albuquerque, José Juva e Ruy Gardnier Fotografia: Camila van der Linden Capas: “Sanguínea e carvão”, de Manu…

9 de outubro de 2013 /

O comerciante, a esposa, o pintor e sua amante Enquanto guarda os seus pincéis, o pintor observa os gestos abruptos do casal. A pose que ostentaram há pouco parece ter se perdido numa espécie de lembrança mais nebulosa do que as suas pinceladas sobre o carvalho. Tem sede. O Sr. Giovanni faz menção a um criado que acaba de entrar, solenemente, nos aposentos. Embora não tenha dito uma palavra, o pintor imagina que o comerciante conseguiu comunicar ao servo o…

7 de agosto de 2013 /

 MOENDA Os dois homens se olham, o coração dos dois acelerados. São corações irmãos, de dor e de sangue. O som ao redor é feito de um silêncio atravessado de ruídos. O velho demora um pouco a entender. Talvez sua inteligência, que sempre foi matreira e perversa, tenha se tornado mais lenta. O olhar oscila entre um e outro dos homens jovens sentados à sua frente. Mas é o preço de um instante apenas que a memória cobra; e, de…

3 de julho de 2013 /

TRÊS DIAS Era simples o hábito. Todo dia, à meia-noite, acordava, levantava-se cuidadosamente e, em silêncio, deixava a esposa dormindo no quarto. Passava pela porta entreaberta dos filhos e seguia para a pequena biblioteca contígua à sala. Conseguira esticar parte da sala e transformá-la em biblioteca na última reforma, dois anos atrás. Os livros todos finalmente ganharam mais espaço, passaram a respirar melhor, menos sujeitos a polias, traças e cupins. Deixaram definitivamente o quarto dos fundos, que já havia sido…

11 de junho de 2013 /

O MESMO NOME O menino correu para ver o que juntava aquele povo todo. Teve que se esgueirar entre corpos maiores, como é costumeiro aos pequenos mordidos de curiosidade. Havia gente pra todo lado. Nas janelas, nas portas das casas. A maioria do povo nas pontas dos pés, as cabeças como alfinetes enfiados no fato recém acontecido. Ele conseguiu após vencer a barreira de uma senhora gorda e as pernas zambetas de um homem alto. Três ou quatro o arrastaram…

4 de abril de 2013 /

DEDICATÓRIA O calor louco atravessava paredes e se jogava sobre a pele, pegajoso. Ele pensou em sondá-la sobre o que exatamente a cabeça dela martelava. E martelava. Alguns meses juntos. Não significava nada. Ou melhor, significava muito. O avô dizia que, às vezes, se conhece alguém pra vida toda em poucos dias. Pena ter ignorado isso anos atrás, pena ter ignorado muitas outras coisas anos atrás. O destino derrapou, dizia a ela, aconteceu algum desvio, quando alguém mexe nos trilhos…

5 de março de 2013 /

UM CHAMADO Pensou que a tinham chamado. Talvez fosse a sua tia idosa, instalada no quarto dos fundos. Desde que a doença metera a velha numa cadeira de rodas, ela a solicitava constantemente. Sabia que, na maioria das vezes, não era uma real urgência que motivava seus pedidos, mas a necessidade de conversar, simplesmente ouvir e ser ouvida. Sua paciência já se esgotara. Mas o nome soou de novo. Não, não era a decrépita zia Giovana. Não vinha dos fundos…

7 de fevereiro de 2013 /

AS MANHÃS, OS INÍCIOS Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá. Achou natural que o grande réptil se esforçasse para manter o corpo enorme e escamoso dentro do cubículo que chamava de quarto. O grande pescoço dava quase uma volta inteira no cômodo, e a grande cabeça, quase do tamanho de uma cadeira, estava pousada sobre a escrivaninha velha que sua avó tinha lhe deixado de herança. Era uma boa escrivaninha, dessas que não se fabricam mais, toda no cedro.…