Tag: ensaio

19 de fevereiro de 2019 /

Eu pensei em propor um diálogo aberto com este texto; e, por isso, eu o entendo como uma continuidade de conversas que venho tendo com diversas pessoas e a possibilidade das reflexões serem desdobradas no futuro – inclusive, repensando pontos e abrindo a alma para recuar em alguma coisa dita. Contudo, como conversa que a gente pega pelo caminho, engata um fio e segue articulando junto, este texto tem a proposta de compartilhar um pouco das vivências colaborativas que tenho…

16 de fevereiro de 2019 /

“a arte é o que resiste, ainda que não seja a única coisa que resiste”. (“o que é o ato de criação?”, giles deleuze) primeiro movimento — eu não gostaria de catalogar os artistas em “música política”, “canção crítica” ou mesmo me pôr num “tribunal” da crítica pra limitar e colocá-los sobre a mesma seara. mas em síntese, eu penso que há artistas que seguem uma linha reta (“evolutiva?”) na música brasileira, reproduzindo esteticamente via “imitação” – mesmo com algum…

15 de fevereiro de 2019 /

Esse texto emerge de alguns acontecimentos que estão me atravessando nos últimos tempos: o atual momento político no Brasil, minhas vivencias no mestrado na UFBA, a experiência como espectadora do espetáculo “Resistir”. O que tange todas elas? O corpo como política. Uma discussão sobre repetição e sentido. E a resistência como movimento, atuando diante de um sentimento de mal estar. Na minha última coluna no site Outros Críticos falei de improviso. Escrevi a um só tempo.  Em um fluxo contínuo,…

6 de fevereiro de 2019 /

por Carlos Gomes. “Nascer não é antes, não é ficar a ver navios, Nascer é depois, é nadar após se afundar e se afogar.” SARGAÇOS, Wally Salomão temas e fissuras De dentro da sala pouco aconchegante do local de trabalho da personagem a quem iria entrevistar, e que tratarei, neste texto, simplesmente como Ela (pronome pessoal que muitas vezes se acomoda aos corpos por obstinação e força de vontade sem tamanho, como veremos no decorrer dessa escritura, que é como…

6 de julho de 2017 /

Uma série de ações, que incluem desde show, debates e oficinas, fazem parte do “Ciclo de Literatura Afetiva, Expandida, Contemporânea – De Clarice ao pontocom”, idealizado pela produtora Izadora Fernandes e com realização da Formata Cultural. O ciclo começou ontem à noite, com apresentação musical do cantor, compositor e pesquisador Luiz Tatit, de São Paulo. A programação completa pode ser conferida no site formata cultural. tatit e a canção ordinária, quase palavra ao pé do ouvido sobre afetos que se…

5 de maio de 2017 /

Difícil principiar esta escrita, já tantas vezes enunciada e materializada em fala nas tantas situações de sala de aula, de elucubrações de boteco; nas discussões após apresentações de trabalhos em congressos acadêmicos e bate-papos após espetáculos teatrais. E me delongo neste introito justamente para ganhar tempo e, quem sabe, alguma maior disposição do leitor (Afinal: “palavras sedutoras/ são caminho/ de cativeiro”, Pimentel, Renata. 2015: pg84. In: Denso e leve como o voo das árvores). Já me anima fundamentar um argumento…

21 de dezembro de 2016 /

Minha primeira lembrança musical remete à canção “Aos Pés da Cruz”, dos compositores Zé da Zilda e Marino Pinto. Não a formidável gravação de Orlando Silva que tocava sempre em casa, mas a inesquecível performance de meu pai lavando louça. Sendo esta sua única tarefa doméstica, meu pai a desempenhava com indisfarçável entusiasmo, desfilando um precioso repertório que ele aprendeu ouvindo rádio durante sua infância e adolescência entre as décadas de 1940 e 1950 na Bahia. Influenciado pelos grandes cantores…

15 de dezembro de 2016 /

preparação não seria possível isolar um pretenso texto que partiria da obra sonora delivered in voices – exposta e vivida como residência artística por diversos músicos e artistas durante a última edição do festival novas frequências, no rio de janeiro, em dezembro de 2015 – do fato de seu criador, o artista visual tunga, ter falecido enquanto a estrutura deste texto ainda não estava totalmente erguida. a preparação se dava no contato mais direto com aquela obra, no que era…

3 de julho de 2016 /

Bem que poderia ser um cigarro Hollywood, aquele branquinho que pedi a você assim que sentamos no chão, no backstage do Rec-Beat, para conversar. A tarde tinha acabado de começar e você havia acabado de sair da passagem de som. Estávamos lá, ao invés das ladeiras e suores e amores de Olinda, numa segunda-feira de Carnaval. Nós, a banda e um punhado de seus fãs. Punhado vem de mão, de punho (contava-se nos dedos os destemidos dos raios ultravioletas). O…

3 de julho de 2016 /

De Feira de Santana para o palco do Rec-Beat, o canto de Russo Passapusso já ecoou de maneiras distintas. Em 2011, a primeira vez do baiano no Recife foi carregada de timbres e frequências graves. Tratava-se de seu trabalho à frente do Baiana System, que ressignificava matrizes de samba com matrizes de reggae, atreladas à cultura do bemba style, música eletrônica, guitarrada e axé. Passada a primeira experiência, retornar ao mesmo palco quatro anos depois, na 20ª edição do festival,…

1 de julho de 2016 /

por Rodrigo Édipo e Igor Marques. não lembro bem, mas acho que foi na unitop que varlos me falou pela primeira vez sobre esse esquema do recbeat. nesse dia ele também falou de mais uns 300 projetos e me apresentou um planejamento do otros críticos pra 2035 e um contrato pra eu assinar. como de costume, falei que estaria ocupado até lá. dias depois veio o convite oficial. carlos me disse que “o artista” que escolheu para o meu ensaio…

30 de maio de 2016 /

Gritar é exasperar a potência do canto. Essa é a primeira tese que encontrei para começar a escrever sobre a experiência de assistir ao show Encarnado de Juçara Marçal, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Thomas Rhoner durante a 20ª edição do festival Rec-Beat, em Recife-PE, na pletora de alegria que é o carnaval pernambucano. Relembrar o grito de Juçara é me deparar com dois momentos distintos: o grito-útero e o grito-canto. São sobre essas distinções que procurarei escrever neste ensaio.…

31 de julho de 2015 /

por Karol Pacheco. Há rumores de um Recife do século XXI nas instituições. Eles nascem a partir de uma ideia de “cluster de cultura e entretenimento”, que consiste em aglomerar uma série de empreendimentos do mesmo setor em determinada área geográfica. A revitalização, além da especulação imobiliária e da verticalização em plena área histórica, passa ainda pela reconstrução de edifícios antigos por fundações culturais de bancos ou holdings privadas. Quando a ruína vira interesse, o conluio poder público e poder…