Tag: cinema

25 de fevereiro de 2019 /

Uma fotografia, feita em 1865, retrata o jovem Lewis Payne. Ele tentara assassinar o Secretário de Estado dos Estados Unidos, W. H. Seward. O fotógrafo Alexander Gardner encontrou Payne algemado na cela, aguardando o momento em que seria enforcado. Sobre ela, Roland Barthes escreveu: “Eu leio ao mesmo tempo: isso vai acontecer e isso já aconteceu”. O estupor: Payne vai morrer, Payne já está morto. Olhe nos olhos de Payne. O cinema é como ele. O cinema é a morte…

15 de novembro de 2018 /

“O livro da imagem” é um dos mais belos e fascinantes monumentos à “variação universal” (Tarde, Deleuze), uma tapeçaria irregular modulando quadros, músicas,  textos e filmes (“arqueologia” por Nicole Brenez), meticulosamente costurados em processo de composição e decomposição. Intensa liberação de modos e ritmos, dinâmicas e sensações. “Todas as coisas, isto é, todas as imagens, se confundem com suas ações e reações: é a variação universal.” O movimento não se distingue do movido e do movente, ele se confunde com o…

2 de abril de 2017 /

Me pediram para escrever um ensaio para essa tão ilustre edição #12 da revista Outros Críticos, mas não qualquer ensaio, um texto que verse sobre a “arte” e|na|pela|pra “periferia”, uma vez que não poderia ter sido escrito por outra jornalista. Desejo então falar do meu lugar próprio, meu lugar de fala sem subterfúgios  ─ mesmo não estando em casa agora, mas em Ouro Preto – MG. “Suburbana mas cosmopolita”, me apresento; portanto, mesmo que não escreva da Travessa Vila Velha,…

17 de março de 2017 /

A mais bela frase já pichada num muro é a seguinte: “Sous les pavés, la plage.” É como dizer: o mais belo plano do cinema é aquele do varal de roupas balançando no vento em Ordet, de Dreyer. Ou que a coisa mais linda feita com tintas foi a tela Sobre a cidade (1924), de Marc Chagall. Ou que nada, nada mesmo, no rock, pode ser comparado à introdução de Sympathy For The Devil, algo que acontece ali, logo antes…

27 de fevereiro de 2017 /

No centro do quadro, largado em cima de um sofá velho empurrado num canto de uma sala escura com paredes mal acabadas, Juninho lê em voz alta uma carta escrita por ele: “caro Cezinha filho da puta, você tá ligado que você é um cara muito importante pra nós e eu também quero te dizer que você é um cara que não merecia tá aí nesse inferno”. Esta dedicatória enviesada, para além de ser a introdução da carta que abre…

2 de fevereiro de 2017 /

No lugar de fazer uma mera adaptação do cinema para a literatura, os cineastas Marcelo Gomes e Karim Aïnouz criaram uma nova obra ao transportar para o papel o conteúdo do filme Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo. O livro homônimo é um objeto dotado de linguagem própria, que combina fotografias (e “frames”), palavras e um projeto gráfico editorial bastante original para transmitir as ideias, sensações e emoções sobre as relações entre afeto, distância e paisagens já expressas no…

20 de dezembro de 2016 /

Durante a infância, por algum motivo eu tinha pânico de seres do outro planeta. Não consigo dar uma definitiva resposta sobre o motivo disto. Talvez tenha sido a influêcia de algum filme, algo impróprio para minha idade. Lembro de ter assistido, na TV, o clássico Alien, de Ridley Scott, quando criança, durante férias da família em uma praia sergipana. Aquilo me apavorou tanto a ponto de um tio-avô meu, que assistia ao filme comigo, me consolar dizendo “isto não é…

22 de novembro de 2016 /

Jonathas de Andrade está cada vez mais ligado ao cinema. O artista alagoano, que vive e trabalha no Recife, já realizou cinco filmes e quer entrar no circuito de festivais, depois de já ter consolidado espaço em bienais, galerias e museus. Apresentado na Bienal de São Paulo em 2016, o média-metragem ‘O Peixe’ retrata um fictício ritual de abraço e despedida entre os pescadores e os animais pescados. Exibido pela primeira vez na Galeria Vermelho (SP) também em 2016, o…

6 de setembro de 2016 /

Nos últimos 20 anos, entre Baile perfumado (1996) e Aquarius (2016), diferentes teorias têm surgido para tentar explicar o êxito do cinema pernambucano nos maiores festivais de cinema nacionais e internacionais. Mesmo que os filmes produzidos no estado ainda não tenham alcançado um sucesso absoluto nas bilheterias, é inegável a contribuição estética e a originalidade das obras, respaldas pela crítica e provocadoras de discussões para além do campo artístico. Nenhuma das hipóteses levantadas, no entanto, conseguiu identificar precisamente as razões…

17 de abril de 2015 /

Enjaulado, Baile Perfumado, Amarelo Manga e Tatuagem são os únicos filmes pernambucanos cujas trilhas sonoras foram lançadas em CD. As músicas de todos os outros curtas e longas-metragens só foram escutadas por quem os viu (salvo exceções de lançamentos na internet). Existe, portanto, uma considerável produção musical de Pernambuco que se encontra inacessível e representa uma espécie de linha do tempo transversal e oculta em relação ao trabalho de bandas, instrumentistas e cantores como Nação Zumbi, Dominguinhos, Chambaril e Otto,…

9 de agosto de 2014 /

por josé juva. É difícil imaginar os percursos, recepções e desdobramentos que os textos tomarão. Muitos gatilhos podem desencadear a escrita. Outros fatores entrarão em jogo para a circulação e fruição, fatores que escapam com mais força das tentativas de orientação por parte do autor. Nunca sabemos aonde um texto vai chegar, o caminho de que olhos cruzará, quais as circunstâncias de sua recepção e leitura. Mas podemos sempre buscar novos inícios, investidas em diálogos possíveis. Os textos reunidos em…

28 de agosto de 2013 /

Quando Cecília se encontra na difícil tarefa de escolher entre realidade e a ilusão, ao se defrontar com seus amores imaginários no filme A Rosa Púrpura do Cairo (1985), do diretor Woody Allen, a moça estabelece o limiar entre ficção e vida real: são, os filmes, o escape da Grande Depressão de 1929 ou da sua depressão, advinda da normalidade que nós, mortais, estamos inerentes a enfrentar, ao contrário dos nossos amigos de celuloide? Todo cinéfilo é um curador, aquele…

3 de julho de 2013 /

Neste sábado (06/07), acontece no Museu Murilo La Greca a segunda edição do Cineclube Toca o Terror, o primeiro do gênero no Recife. A sessão com a mostra de curtas nacionais e internacionais começa a partir das 16h com entrada gratuita. Dentre os curtas a serem exibidos estão “Brutal Relax” (Espanha, 2010), “Lollipop” (Russia, 2009), “Vincent” (EUA, 1982) e os brasileiros “Landau 66”, de Fernando Sanches e “A Menina do Algodão”, de Kleber Mendonça Filho e Daniel Bandeira. O Cineclube…