Solidão nº3 – Vitor Araújo

O tom verde-musgo, o ângulo escolhido, o negror do palco, todos os elementos que contribuem para tornar épica a apresentação de “Solidão nº3”, de Vitor Araújo, executada pelo silêncio, tensão, piano, cordas, sopros e intensidade.

O vídeo foi gravado durante a estreia de A/B no Festival No Ar – Coquetel Molotov de 2012. O álbum confirma o talento ímpar de Araújo ao percorrer, sem pudor, entre o que chamamos de música erudita e popular. Não há restrições, dicotomias. Há ruído, hibridismo, música, simples música, sem distinções.

A tradição existe para ser reescrita. É isso, que de certa forma, Vitor fez no seu último disco, e, por consequência, no show. É preciso também abrir parênteses para falar do conceito do show, feito em parceria com o designer Raul Luna. A estória do concerto, a relação artista e plateia, a aposta no silêncio e na palavra dita (e não dita), todos esses elementos projetados diante do cinema mudo posto no palco, só confirmam a maturidade que a música de Araújo alcançou. A sua versão de “Paranoid Android”, antes um espanto, torna-se um retrato amarelo e insosso, perto das canções e atitudes que o seu disco A/B nos revelou. O álbum pode ser baixado gratuitamente no site: http://www.vitoraraujo.com.br/

por Carlos Gomes.

Imagem de capa: Festival Coquetel Molotov por Caroline Bittencourt

 

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Outros Críticos Escrito por:

Desde 2008 atuam desenvolvendo projetos de crítica cultural na internet e em Pernambuco. Produziram livros e publicações, como a revista Outros Críticos, além de coletâneas musicais e debates, como os do festival Outros Críticos Convidam.

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