19’57”

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 por Carlos Gomes.

rua é dançar sem ter pés, uïu mesmo sem ser presença. minimalismo é uma doença que respinga em telas pálidas, brancas – há cores de branco e branco. música e/ou terapia é quando a invenção da linguagem quer ter nome. salas de concerto cabem gente, não cabem árvores, trilhos ou pedras que fazem barulho quando o tempo quebra. como duas vozes cabem aqui diante de nós? (carlos) a perspectiva de encarar a música como experiência que se aprofunda nos limites da compreensão, no movimento dos afetos através da organização dos sons, na escuta como atenção voltada ao corpo de uma existência delirante. acho que uïu e rua trabalham com princípios de movimento, na construção de atmosferas, potência delirante, debatendo as fronteiras poéticas, estéticas, formais da arte. (caio) detectar similaridades estéticas, pode cair no lugar comum de apontar para um movimento/manifesto, vulgo cena. a conexão mais singela e afetiva das duas bandas é o corredor do departamento de música da ufpe. (lucas) uma cena pressupõe autorreferência (sentir-se parte de), territorialidade comum. onde está a rua e o rio? pernambuco atravessa suas falas? (carlos) cena é um modelo tradicional para encaixar a diferença em torno de uma política que se pretende comum, mas é possível compreender que a diferença é absoluta, pois os interesses são diversos. acredito que só através de um exercício radical de abstração é possível reunir tanto desejo em torno de uma pretensa igualdade. além disso, essa abstração da cena se resume na tática de ocupação de espaços já existentes, institucionais, que me parece uma solução clássica no sentido de repensar os prejuízos que o aniquilamento de espaços para tocar representa para a comunidade musical, hierarquizando estilos, moralizando atuações. não sei se é possível amoralizar, mas a discussão em torno de uma cena é incentivar modelos autoritários de organização que distanciam a comunidade musical de um debate necessário para reunir formas de resistir a um modelo excludente que nos constrange a escapar à forma como garantia de sobrevivência. (caio) rua e uiu materializam a música ao vivo das jams de dança e improviso, oficinas, ocupações-estelita, música na rua, festivais, exposições de artistas visuais, outras experiências. salas de concerto ainda dão pé? cada vez mais descaracterizar os locais idealizados para a música acontecer é uma forma de ser outros espaços? (carlos) não é a música que fazemos, mas afirmar a possibilidade de fazê-la como experiência absoluta de um corpo disciplinado pela privação do prazer, propor a experiência como imersão no prazer, como momento de sentir-se. não é necessariamente pela nossa forma de fazer. talvez seja pela dissolução das fronteiras entre o fazer e o saber, pela experiência sonora como caminho para a música, enfim… (caio)

19’57’’ e a música continua aqui fora onde quase cabe. (carlos)

 

rua

caio lima (voz, guitarra e sintetizador), hugo medeiros (bateria e marimba de vidro), nelson brederode (cavaco e bandolim), yuri pimentel (baixo e baixo acústico), bruno giorgi (voz e efeitos) e diogo guedes (guitarra e overdubs). 

uïu

henrique vaz (sintetizador e efeitos), hugo medeiros (bateria, percussão e efeitos), lucas alencar (guitarra, viola e efeitos), marcelo campello (guitarra, trompete e efeitos) e mateus alves (contrabaixo acústico, contrabaixo elétrico e efeitos).

Serviço:

rua e uïu no Teatro Apolo (05/06, 19:57h)

Ingressos:
R$ 15,00 (antecipado)
R$ 20,00 (no dia)

Os ingressos antecipados (R$15) serão organizados através de uma lista amiga, podendo retirar o ingresso na bilheteria no dia do show. É só participar e compartilhar o evento, marcando o perfil da Rua Do Absurdo.

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Outros Críticos Escrito por:

Desde 2008 atuam desenvolvendo projetos de crítica cultural na internet e em Pernambuco. Produziram livros e publicações, como a revista Outros Críticos, além de coletâneas musicais e debates, como os do festival Outros Críticos Convidam.

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