Rec-Beat reapresenta a música pernambucana

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A dupla Sem peneira pra suco sujo lança o álbum “Respira” na semana em que faz show no “Rec-Beat apresenta”.

por Carlos Gomes.

Diante das últimas notícias que envolvem o Carnaval desse ano, seja no anúncio da programação ou na restrição de horário de manifestações culturais como a do Maracatu de Baque Solto, e que oficialmente se estenderá em todos os polos e eventos, os primeiros nomes divulgados do Festival Rec-Beat e do projeto “Rec-Beat apresenta”  dão certa esperança de que a gestão cultural, como um todo, dos eventos apoiados pelo Estado ou prefeituras caminhe em direção diferente da que vem se desenhando.

Com os anúncios dos pernambucanos Bruno Souto e Aninha Martins, das bandas Max Capote, do Uruguai, e Guadalupe Plata, da Espanha, e de Arrigo Barnabé, para o palco principal do evento, a curadoria continua a estabelecer um olhar particular e afeito à escuta atenta dos artistas escolhidos. É com esse critério, que deveria ser básico a qualquer evento, que o produtor e curador Gutie apresenta uma prévia do festival, que ocorrerá na próxima sexta-feira no Estelita. Trata-se do “Rec-Beat Apresenta”, com três artistas que estão num momento de intensa produção.

Além de tocar no palco principal do evento, Aninha Martins estará na prévia com o show “Esquartejada”. Ela prepara o seu primeiro álbum; mais recentemente, lançou uma faixa dentro de uma seção que organizamos aqui mesmo no Outros Críticos. A Sem peneira pra suco sujo, dupla formada por MC Anemico e DJ Novato, lançará amanhã, de forma on-line, o álbum Respira. A terceira banda da noite é a Pé-preto, que acabou de lançar o single “Estudando Uzôto”. A noite ainda conta com a exibição do Vídeo-documentário Rec-Beat 2013, de Pedro Bayeux e com o DJ Novato tocando seu set durante os intervalos dos shows.

Abaixo, uma breve entrevista que fiz com Gutie sobre o Rec-Beat. 

Por que você sentiu a necessidade, justamente nesse ano, de realizar prévias do Rec-Beat?

Essa necessidade, na verdade, já vem de algum tempo. Tem sido muito grande o número de bandas novas,  legais,  que acabam não entrando na programação do Rec-Beat, simplesmente porque existe um limite de atrações que a programação do festival comporta. Não dá pra escalar todo mundo. O “Rec-Beat Apresenta” é uma forma de abrir espaço para essas novas bandas que, se não estão na programação oficial do Festival, poderão estar no futuro. São bandas que o festival aposta, que certamente vão evoluir, que vão crescer. Este ano estamos fazendo essa experiência do “Rec-Beat Apresenta”,  e com base nos resultados vamos ver o que pode ser adequado,  ampliado, melhorado, nas edições seguintes.

O anúncio da programação do Carnaval gerou inúmeras críticas, e entre os comentários, a programação final do Rec-Beat é esperada com confiança de uma curadoria atenta e criteriosa. A que você atribui a distância que há entre o Rec-Beat e os outros polos?

O Festival Rec-Beat tem um conceito muito bem definido. Nosso principal objetivo é levar uma programação para um público realmente interessado em expandir seus horizontes musicais. E junto com as novidades, o festival escala também algumas atrações que fazem link com a história da nossa música.

Quando criei o Rec-Beat, foi acreditando que o carnaval estimula um estado de espírito nas pessoas que favorece a busca por novas experiências, novas sensações. E o festival oferece isso. Nosso objetivo nunca foi  “recbitizar” o  carnaval, pelo contrário. Não curto a ideia de ver o carnaval transformado em um evento focado apenas em atrações de palco, com o público apenas assistindo. O carnaval é participação popular e isso deve ser estimulado sempre.

Gosto da diversidade, e sempre vi o Rec-Beat como uma peça compondo um grande mosaico de manifestações musicais que caracterizam nossa cultura e nosso carnaval, e isso inclui toda a tradição carnavalesca que não pode ser relegada a um segundo plano.

Se o Rec-Beat tem um objetivo, a programação montada pela Prefeitura tem outro, mas não são objetivos antagônicos, acho que são complementares. A programação da Prefeitura atende a uma demanda do grande publico, é diversificada, e está recheada  de manifestações populares e de nomes importantes. O Rec-Beat atende outro segmento de público. E os que se queixam da programação oficial tem no Rec-Beat a oportunidade de ver e ouvir outras coisas.

Qual o lugar do Rec-Beat no circuito nacional de festivais, e é possível que a proposta do “Rec-beat apresenta” possa circular durante o ano e também entre outros centros?

O Rec-Beat está entre os mais importantes festivais independentes do país.  Tem um conceito muito bem definido e contribui enormemente para a divulgação do carnaval e da produção musical pernambucana, sem contar a abertura para a produção musical de todo o país e também latino-americana e de países mais “periféricos”. É um festival de referência hoje, e isso foi conquistado ao longo desses dezenove anos de existência.

A iniciativa do “Rec-Beat Apresenta “ pode  sim vir a circular por outros centros. Mas não vejo o Festival Rec-Beat circulando da mesma forma. É que o Rec-Beat acontece em pleno carnaval, no Recife, num sítio histórico,  mergulhado em um ambiente especial, singular, difícil de ser reproduzido em qualquer outra cidade.

Serviço

Rec-Beat Apresenta

Artistas Convidados: Sem Peneira Pra Suco Sujo, Pé Preto e Aninha Martins.

Abertura: Vídeo-documentário Rec-Beat 2013, de Pedro Bayeux

DJ Novato nos intervalos entre as apresentações.

Local: Estelita / Rua Saturnino de Brito, 385, Cabanga.

Ingresso: R$ 20,00

Arte de Capa: Caramurú Baumgartner

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Outros Críticos Escrito por:

Desde 2008 atuam desenvolvendo projetos de crítica cultural na internet e em Pernambuco. Produziram livros e publicações, como a revista Outros Críticos, além de coletâneas musicais e debates, como os do festival Outros Críticos Convidam.

Um comentário

  1. 6 de fevereiro de 2014
    Responder

    O Rec Beat sempre salva! Tamo implorando o Zulumbi na programação pq sabemos q só o Rec Beat pode fazer isso! O Gutie sempre arrasa todo ano se supera!
    :)

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