Luna: o canto que também provoca maremoto

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Faço o download aqui.

por Jocê Rodrigues.

O presente livro surgiu como uma vontade de nomadismo, físico, estético, territorial, ideológico e por aí vai. Construção de ideias e sentimentos itinerantes, que percorrem determinadas áreas em determinadas estações do ano. Se tivesse que dar um segundo nome a ele, certamente seria Bakhtiari – povo da antiga Pérsia (atual Irã) cuja uma pequena parte continua a praticar o nomadismo e que possui seu próprio dialeto.

Seu conteúdo é simples pó de estrelas, assim como nós, nada além disso. Não existe uma crítica a sistemas políticos e nem uma discussão sobre a delicada situação na Crimeia (lugar que havia conhecido anteriormente apenas pelas lentes sensíveis de Vincent Moon). O que há lá dentro é pura e simples divagação poético-astronômica. Os astrônomos do século XVII acreditavam que as manchas mais escuras na superfície da lua eram mares (no latim: maria, no plural e mare, no singular) e oceanos e começaram a nomear esses mares de acordo com os efeitos que eram atribuídos à lua (mar da crise, mar das chuvas, mar da tranquilidade – onde pousaram os astronautas em 1969). Somente muito tempo depois, com o avanço da ciência e da tecnologia, soube-se que esses mares eram, na verdade, planícies compostas de lava basáltica, resultado dos impactos de meteoritos na superfície lunar. Um verdadeiro exemplo da famosa expressão “parece, mas não é”.

Pensando nesse fabuloso efeito mimético que costurado na relação entre as palavras e nas coisas, escolhi alguns desses mares pra cantar alguns desdobramentos que aproximam a imagem da palavra. Foi pra isso que convidei artistas e fotógrafas para ilustrarem trechos dessa voz que se disfarça em grafia e que faz balançar o mar-de-dentro. Pessoas das quais admiro o trabalho e que foram extremamente generosas ao atender o meu pedido. São elas: Augusto Meneghin e Maike Jean (dois artistas plásticos da cidade de Araras que fazem trabalhos de rara complexidade e beleza), Cris d’Ávila (fotógrafa e amiga que tive o prazer de conhecer durante o curso de Filosofia e que possui um olhar no mínimo magnético sobre as coisas), Phá Bemol (ilustrador de grande talento, músico e amigo de longa data), Eneida Gomes de Holanda (fotógrafa e amiga de sensibilidade apurada e olhar atento), Lese Pierre (artista de mão cheia e com uma criatividade de dar inveja) e Daniela de Assis (fotógrafa do Paraná que traz toda beleza, força e encanto do universo feminino para o livro). Também foi importante o prefácio sensível e atento do escritor e querido Marcelo Maluf, que contribuiu para que a minha visão do livro também fosse ampliada.

O resultado está aí, pra quem quiser ler, falar, ouvir, ou simplesmente calar. Importante dizer que nada disso seria possível sem o apoio de Fernanda Maia (responsável pela capa foda do livro), e que se dispôs a diagramar todo Luna com competência.

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Outros Críticos Escrito por:

Desde 2008 atuam desenvolvendo projetos de crítica cultural na internet e em Pernambuco. Produziram livros e publicações, como a revista Outros Críticos, além de coletâneas musicais e debates, como os do festival Outros Críticos Convidam.

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