entrevista: Isaar

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Foto que abre a matéria e capa do site: Diego Di Niglio

por Carlos Gomes.

A cantora e compositora Isaar vem construindo sua trajetória artística de uma forma eminentemente autoral. Cada canção, arranjo, escolha estética, tem a mão firme da artista que, ligada às tradições culturais de sua terra, tem procurado ampliar sua musicalidade, sem que isso signifique virar as costas para o passado. O álbum “Azul Claro” foi, de certa forma, um marco nesse caminho. As primeiras audições de “Todo Calor”, sua sonoridade pop, com pequenas invenções no arranjo, sobretudo pela presença do trombone como estética do álbum, tem tudo para se tornar um novo marco para a cantora. A nossa conversa teve como foco o seu novo disco. Ao tratar sobre esse novo filho, questões como editais culturais, rádios públicas e o mercado local vieram à tona.

Imagino que cada vez que você lance um trabalho novo ponha-o em perspectiva com os antigos. Já consegue perceber as principais diferenças entre “Azul Claro” (2006), “Copo de Espuma” (2009) e “Todo Calor”? Claro, a gente já percebe a diferença. Eu nunca vou conseguir fazer um disco igual à Azul Claro, e espero também não repetir a dose com Todo Calor, porque são processos de vida mesmo. Cada disco é uma expectativa muito grande do que vai acontecer a mais. Então, acho que continua sendo um disco de banda. O meu primeiro disco é um disco de banda. Foram pessoas que eu juntei pra trabalhar comigo e que fizeram parte de todo um processo até construir Todo Calor. Este repete a fórmula de ser um disco de banda, que era uma coisa que eu queria me desvencilhar, pois eu queria fazer um disco mais livre; chamar músicos, um arranjador, mas ainda não rolou. Nisso, existe uma semelhança. Diferenças, eu acho que nas composições, numa independência maior, uma liberdade pra compor; porque eu tinha um compromisso – não era uma obrigação –, um amor, com a música tradicional, e eu não queria deixar isso. Eu sinto hoje que eu posso fazer qualquer coisa. Inclusive a música tradicional. Inclusive a música tradicional. Então, acho que é um disco que está mais livre do rótulo que vêm me colocando sempre como “regional”, que é questionável. Essa é a principal diferença, talvez. Depois que o disco sair e eu tiver perto de pensar num novo disco, posso até achar outras diferenças.

Quando o trabalho musical é solo, fica mais fácil, do que numa banda, de mudar os músicos e a dinâmica de cada apresentação. Experimentando as novas possibilidades que a experiência dos músicos traz para o show. Como foi feita a montagem do grupo que lhe acompanha agora, e como ela se reflete na sonoridade que você buscou para “Todo Calor”?

Antes de fazer o disco, eu estava muito mergulhada na cidade. Eu passei um bom tempo sem viajar, sem sair da cidade, morando na Boa Vista. Então, por isso que o disco se torna um pouco mais urbano. Quando eu pensei em colocar o metal no disco, achei a cara da cidade, por conta do frevo, que é uma música bem urbana, e está cultuado o metal, hoje, na música pernambucana. Eu quis colocar metal, além do baixo, guitarra e bateria. É um disco que cada música traz uma história diferente, tanto na própria letra, como ela foi feita. De repente tem um reggae, ou uma coisa mais agressiva. Então, eu não pensei numa unidade.

Quando você pensou no metal, foi percussivo, de ataque? Porque no teu disco tem um lado melódico forte. Então, o metal está nesses dois caminhos? É. O metal ele é cama do disco. Algumas pessoas colocam teclado, outras cordas, violinos. O metal aparece aí. Mas tem um frevo no disco e o metal aparece atacando, mas na maioria, a função do metal é essa cama, que é bem bacana – que é Deco do Trombone, show de bola nisso. Eu gosto muito do trombone. Em algumas músicas eu chamei um naipe, em três músicas, mas na maioria é o trombone, que acho ter uma suavidade maior.

A faixa ‘Todo Calor’, que abre o disco, ela sintetiza, tanto do ponto de vista pessoal, do que você fala na letra, quanto sonoro, desse momento que estás agora, que queres mostrar nesse disco?Ela é síntese porque é uma música bem afirmativa. Ainda não divulguei a música, mas ela fala de mim. Eu sou assim. Eu falo da cidade, de todo calor que é a cidade que a gente vive. As alegrias e dificuldades de viver numa terra quente como a nossa, as relações, tudo isso numa afirmação minha de ser o que eu sou. Então, o disco tem isso. É uma maneira de dizer: “Agora eu estou mais confiante ainda”. É um processo de confiança. Faz o primeiro disco, e respira: “É isso mesmo”. Faz o segundo. Dá pra fazer o terceiro. Esse disco é bem isso. Mas, musicalmente, “Todo Calor” é uma música alegre; o disco é pra cima, mas tem uns toques de tristeza e melancolia, mas que é natural. Um momento mais tranquilo.

Ouvindo o disco, eu sinto algo sinestésico. Você houve o disco e sente o calor. Não ouve apenas com a audição, mas com o corpo inteiro. É um disco pra se ouvir com o corpo inteiro. Então, pro carnaval, que está próximo, é um disco pra ir às ruas. Quando começasse a pensar que canções usar no disco, elas pediam os arranjos festivos, esse movimento de calor, que emana no disco? Foi algo natural ou mais pensado, após algumas canções?Foi natural, mas foi pensado quando se imagina em quem vai compor a banda, então as pessoas que estão ali já têm cada uma a sua personalidade, que você escolhe não só a musicalidade de cada um, mas o jeito de tocar, a pegada, que compõem toda uma história, porque os músicos eles estão arranjando tudo.

Quando eu convidei Berna pra produzir, era mais um ouvinte atento, porque os meninos são muito competentes e a gente teve uma facilidade nos arranjos. É bacana você ter percebido isso, de ter este sentido. Eu pensei no disco para a rua. É engraçado isso, parece aquele adesivo da prefeitura, “Eu amo Recife”, mas não é isso não, é porque estou mergulhada na cidade mesmo. Eu até brinquei, não é mais um disco regional, é municipal. É um disco que eu quero que a cidade escute. Acho que tem a ver com o que a cidade escuta, e eu não o fiz por conta disso. Eu fiz porque eu também estou escutando o que a cidade escuta. Eu estou no meio do bolo, e acabaram saindo essas músicas. É uma coisa que eu comecei fazendo, e percebi depois que é isso, que estou nesse bolo e quero fazê-lo mais bonito. (risos) Pra mostrar e para o pessoal ouvir mesmo.

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Foto: Josivan Rodrigues

Uma coisa que é particular, não só no disco, mas no teu trabalho todo, se a gente for pesquisar sobre a tua música, sempre encontra perguntas sobre o teu timbre vocal, que é muito singular e característico. Se pensa em Isaar, vem logo o timbre, é o primeiro elemento. Eu queria saber se na escolha das canções ou no próprio processo de composição de “Todo Calor”, a tua voz é como se fosse um guia estético pra tuas escolhas. Esse disco é autoral – tem muitas músicas minhas –, mas é também de intérprete, pois eu pego músicas de amigos e compositores que eu gosto. Quando eu escolho uma música – eu prefiro até escolher uma música, a cantar algo meu – porque eu preciso cantá-la primeiro. Às vezes, a música é linda, mas não cabe, não gosto. Eu percebo isso, na minha concepção, o que é que cabe para a minha voz. O que a minha voz acaba representando, o que eu posso cantar que represente bem a história. Mas eu tenho dificuldade de analisar isso pelo pouco estudo técnico que eu tive – ainda tenho. Aprendi a me escutar e dizer: Não, realmente, acho que sou cantora mesmo. Porque essa coisa diferente, mas quando você escuta, aquele medo de acabar seguindo outra cantora… Essa certeza: Esse timbre é o meu mesmo, não tem como eu fugir dele, e é ele que me diferencia, e é por isso que eu estou aqui. Com as minhas músicas é complicado isso. Eu componho e já faço. Eu acabo nem analisando direito. Eu faço isso mais na escolha das músicas que eu vou interpretar. Aí, eu canto com calma. Às vezes é uma música linda, mas não é pra mim. Isso o timbre… O timbre sendo o guia.É.

Eu queria que você falasse um pouco sobre os compositores, dos principais que estão no disco. Pra falar a verdade, eu escolhi mais a música do que o compositor. Tem Cássio Sette. Eu canto uma música dele, só com voz. É bem bonita, curtinha, encerra o disco. Cássio Sette não é conhecido como um compositor, mas compõe, tem umas letras bacanas, e eu gosto muito do que ele faz. É pouca coisa, mas eu gosto muito. Ele me cantou essa música uma vez e gostei. Tem Zizo que é um poeta, também me cantou um monte de coisa. Peguei a mais simples dele, que eu achei muito singela, que tinha a ver. Tem Lito Viana, que é o meu parceiro. Ele musicou um poema de França, que é um poeta de Olinda, que na verdade é um poeta, não tem outras músicas. Ou até tem, mas não era como compositor. Tem Beto Vilares, que é um compositor, mais conhecido como produtor musical, mas eu gosto muito do disco que ele fez, Excelentes Lugares Bonitos, eu gostei muito e tirei uma música desse disco; e Graxa, que eu acho massa as composições dele, mas escolhi exatamente a única que eu poderia cantar. (risos) É bem pessoal. Bem pessoal, mas é bem bacana. Tem muitos compositores que eu gosto na cidade que nunca gravei. Gosto muito de Ortinho. Tem uma semelhança com Graxa, nessa questão pessoal, de compor.

Na hora de montar o show, tu vai ter que criar um diálogo com as canções dos outros discos. Você já está nesse processo de pensar na turnê, em show? A sorte é que eu montei a banda antes de começar a produzir o disco. Então, a gente vem fazendo shows com as outras músicas e a gente sabe, mais ou menos, o que cabe pra juntar com essa leva de Todo Calor. Tem músicas que caem muito bem nesse disco. Os shows que a gente fez no final de ano, tem muita música do disco, é uma prévia do lançamento. Só estamos guardando uma ou outra. Mas acho que muita coisa cabe, dos outros discos.

Na projeto Dois Sons, do site Outros Críticos, vai ter uma gravação tua e de Aninha Martins juntas. Vendo Aninha, começando agora, você consegue ver a tua carreira no início? Qual o diálogo que tu faz com os artistas mais novos? Eu penso mais em relação às expectativas de artista mesmo, que está começando; a diferença de uma artista que está no terceiro disco, e que também tem expectativas, claro. São começos diferentes, porque quando eu comecei, eu não tinha a expectativa de que eu fosse tomar conta de uma carreira minha. A gente começou com banda, era uma coisa mais leve, em um outro momento que a cidade vivia. Mas essa expectativa pra Aninha, ela já começa como “Aninha Martins”, já tem uma responsabilidade como cantora, que eu só adquiri quase dez anos depois de eu ter começado com a Comadre Florzinha, já estar no palco… Então, é um começo diferente pra mim e pra ela. Mas eu acho massa esse diálogo. As expectativas são diferentes, porque a gente vive em épocas diferentes. Esse diálogo é muito importante. Tem uma que já tem três discos e uma que está lançando o seu primeiro disco, mas, principalmente, entender, que todo mundo está no mesmo barco. Todo mundo está com trabalho na rua, pra ser mostrado; e de repente ela consegue um público bem bacana, bem maior. Quem sabe pra onde o vento leva cada uma, né? Eu não tenho essa coisa de que estou em primeiro e quem está vindo depois, vem atrás de mim. Está todo mundo no mesmo barco. Tenho o maior respeito pelo trabalho dela, assim como sei que ela tem respeito pelo meu.

A gente está falando na revista sobre cenas musicais. Por conta da tua trajetória, você pôde perceber diferentes cenas musicais que existem no país inteiro, pelo menos nas principais capitais. Você consegue perceber, na circulação local de shows e no consumo de música em Pernambuco, alguma ligação entre o que acontece aqui e em outros lugares, atualmente? Acontece uma coisa muito boa, e ruim. Muito boa é que, já há algum tempo, uma década, que se produz muito, em todas as partes do Brasil. Ganhei um prêmio, o Pixinguinha, que se premiava dois artistas por estado, e percebi que a maior parte dos estados tinha boa qualidade. Então, você tem cidades como Salvador, Fortaleza, Natal, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Goiana, Belo Horizonte, com muita produção musical. Isso é bacana, é fato. O problema é que, em todo o Brasil, inclusive Rio e São Paulo, não tem onde escoar. Não tem. Essa é percepção que eu tenho da cena musical, hoje. Os artistas do Brasil estão aí. Isso dá margem pra surgir um “Fora do eixo”… Coisas que podem ser boas pra alguns artistas. Mas eu acho que dá margem à criatividade… Que pode e deve e vai surgir alguma coisa que salve alguns artistas. No entanto, não tem onde escoar tanta banda. É uma pena. Se cada cidade pudesse escoar sua produção, e a gente pudesse fazer mini-intercâmbios regionais. Mas nem isso.

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“Todo Calor” está disponível para download gratuito em: www.isaar.com.br

Pensando em rádio, o teu disco, Todo Calor, é radiofônico, no bom sentido, se as rádios hoje tivessem uma curadoria ou uma atenção crítica para a música brasileira. A gente vai ouvir o teu disco nas rádios, ou apenas na Frei Caneca? (risos de Isaar) Ainda há essa esperança na rádio? Sim! Se a rádio Frei Caneca surgir, né? Pra completar, eu pergunto: você acha que todo o processo que gira em torno da rádio Frei Caneca é sintomático de como o Estado vê a cultura em Pernambuco? O que você vê de eficiente, de coisas boas, e de coisas negativas? Não sei. A impressão que dá é que tem gente amarrando as mãos e as pernas da gente. Não sei se é exatamente o Estado, mas a gente tem essa impressão de segurarem de um jeito que não pode… Amarra. (risos) É triste, como você falou, meu disco tem várias músicas – sou eu que estou falando, a maior suspeita –; mas o disco vai sair, e quem ouvir o disco, são músicas que podem tocar na rádio tranquilamente. Em qualquer rádio. Rádio Recife, Rádio Jornal, Rádio Folha; qualquer rádio. Vai tocar? Não sei. Eu espero que toque. Eu queria que a população dissesse… Tem que ter uma passeata, vamos quebrar as rádios. (risos) Pra tocar. A população: “Cadê aquela música?”. Então, eu acho que quando a gente conseguir isso… Que as pessoas escutem aquela música e pensem: porque aquela música não toca? A gente tem que chegar junto mesmo. Todo Calor é uma ebulição de querer que as pessoas ouçam, gostem e liguem: “Ôh, toca aquela música!”. Um sonho meu que eu quero que aconteça.

Está tendo um movimento agora dos artistas e produtores para o Funcultura criar um edital específico pra música. A gente pensando em rádio, nessa união dos artistas para que tenha o Funcultura só da música e se fortaleça com isso, você acha que essa união pode levar a agir, como está sendo feito agora, para outras questões como a rádio, por exemplo, ou tu achas que ainda são coisas pontuais? Quando a gente fala do Funcultura, ainda é a questão do Estado, que eu acho válido, porque eu já participei de seleção do Funcultura e quantidade de música é gigantesca. Cinema está bem organizado porque eles foram lá, peitaram e mostraram que tinham um valor. A música deveria fazer o mesmo, está supercerto. O potencial é gigante. Ao mesmo tempo, a quantidade de discos que são produzidos e ficam só na estante dos amigos e parentes; é triste, também, você ver a quantidade de dinheiro dado. Então, o Estado está dando dinheiro pra quê? Isso, acho importante avaliar. Por isso tem que ser casado. O Estado fazer, é importante e necessário, porque se ele deixar de fazer a gente fica sem braço e sem perna, mas eu acho que a gente precisa…

Falta o Estado pensar o disco dentro de uma cadeia musical ampla? É. A gente fala: “o disco é um filho”. Você bota um filho no mundo e deixa no berço e vai produzir outro? (risos) Você tem que cuidar, alimentar; tem que botar o disco nas lojas, tocar na rádio… Claro, isso não vai acontecer só porque você fez um disco. Você tem que correr atrás; e tem a empatia com o seu público, o que se consegue conquistar de pessoas, ao redor. Não é também: “Eu fiz um disco no Funcultura e ele tem que me colocar na rádio”. Não é assim. Mas não tem a fluidez, nem com discos que a gente vê que tem potencialidade de tocar e ter um público. Isso é em várias áreas. Aqui tem gente boa em samba, hip-hop, rock’n roll, forró, coco, música pop; há esse mundo de gente boa tentando, correndo atrás. Aí, são projetos, projetos e projetos. Como você falou, será que se a gente se movimentar pra ir à rádio…? A cultura não é feita só de Governo e artista. Tem que chegar na população. Como é que chega na população se não tem rádio? É o que as pessoas tentam fazer: botar um carro na rua e ligar um som, como Roger está fazendo com o Som na Rural. É uma maneira. A gente tem que buscar as pessoas. Elas é que têm que ouvir a gente. Lembro que quando saiu uma matéria sobre os cachês atrasados do Funcultura, muita gente me parava na rua e dizia: “Vocês não recebem, não? Vocês só recebem depois de seis meses?” Era uma prática nossa só receber depois de seis meses e a população não sabia. Todo mundo vai pra show, Marco Zero, acha tudo muito lindo. Ninguém sabia. Então, a gente tem que chegar mais. Todo artista tem que ir onde o povo está. A gente tem que buscar. Eles têm que ser a nossa arma. Foi assim que explodiu o Manguebeat, porque Chico Science tinha isso. O povo que explodiu. O Acorda Povo juntava uma multidão na periferia pra ver Chico Science, Devotos e outras bandas. Então, a gente viveu isso e precisamos disso de novo.

Publicado originalmente em janeiro de 2014, na 1ª edição da revista Outros Críticos.

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Carlos Gomes Escrito por:

Escritor, pesquisador e crítico. É editor dos projetos do Outros Críticos, mestre em Comunicação pela UFPE e autor do livro de contos "corto por um atalho em terras estrangeiras" (2012), de poesia "êxodo," (CEPE, 2016) e "canto primeiro (ou desterrados)" (2016), e do livro "Canções iluminadas de sol" (2018), um estudo comparado das canções do tropicalismo e manguebeat.

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