Diálogo IV com João Marcelo Ferraz: uma estética da violência antes de ser primitiva é revolucionária?

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Glauber Rocha, cineasta e autor de Eztetyka da Fome.

Diálogos é uma série de conversas realizadas com algumas personalidades pensantes. O quarto texto é a transcrição de um bate-papo que eu tive com o músico do Ex-exus, João Marcelo Ferraz. A ideia central do projeto é subverter os posicionamentos estabelecidos nas entrevistas usuais, em que o entrevistador faz as perguntas, mas não responde, e em que o entrevistado responde às perguntas roteirizadas pelo entrevistador, mas não pergunta. É, de fato, um diálogo induzido por uma indagação que abre o embate; dessa maneira, uma questão é lançada no início para direcionar os argumentos, mas depois, os rumos que se seguem variam a partir das deixas dos dois debatedores e estão sempre sujeitos ao imediatismo e aos saltos da oralidade. O processo é todo gravado, depois transcrito e editado, mas é preciso salientar que a edição é feita procurando não tirar a naturalidade da conversação – essa fluidez oral no texto, talvez, seja o maior capricho editorial.

Dessa vez, o diálogo foi motivado pela sentença pronunciada por Glauber Rocha no manifesto Eztetyka da Fome: “uma estética da violência antes de ser primitiva é revolucionária”. Aproveitem o papo que segue abaixo:

Ricardo Maia Jr.

Tem uma frase de Glauber que ele diz assim: uma estética da violência antes de ser primitiva é revolucionária. O que é que tu acha dessa frase aí?

João Marcelo Ferraz

Bem, São Paulo, né?! São Paulo hoje (13.06)! Assim, eu acho que… eu concordo, embora, eu não compactue das preferências políticas do Marinetti, do futurista lá, né?! Bem, a destruição é a criação de um novo ponto de partida! E revolução é um pouco isso! Então, às vezes, o que diferencia revolução de reforma, a meu ver, é isso! Com a revolução, você tenta construir uma nova base. Você não tenta montar em cima da base existente, que seria uma característica mais ligada à reforma. E essas brincadeiras do Facebook da queda da Bastilha e do Muro de Berlim, tem muito a ver com isso.

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Queda do Muro de Berlim.

Eu que acho que, às vezes, pra gente fazer mudanças na base da estrutura, a gente precisa dessa violência. Ela é primitiva, e ela pode ser primitiva da forma mais bela possível! Então, eu acho que, às vezes, para você revolucionar, você tem que destruir algumas coisas. Tem que destruir algumas bases para você construir o novo. Então, é nessa destruição que a gente encontra a violência e a gente não pode ter medo disso, tem que entender isso como um processo histórico, são os problemas dos contemporâneos de qualquer era.

Eu acho que em qualquer fase da história humana o contemporâneo da sua época vive no sentimento, viveu no sentimento de que sempre foi daquela forma. Tirando aquelas pessoas que conseguiram viver os momentos-chave, tipo, a queda do antigo regime na França ou a ditadura, porque a maioria das pessoas da nossa geração se lembra de alguma coisa da época da ditadura. Lembra do pai chegando em casa com um sorvete, de repente assim, ou jogando bola na rua; não estava muito preocupado, entendendo o que estava acontecendo. Então, há essa sensação de quem viveu o seu momento consciente, ao longo dos anos 90 pra cá, de que parece que basta a gente esperar, que à deriva os acontecimentos históricos vão surgindo; e não é assim! A gente vai construindo! Às vezes, nessa sinuca de bico aí, nessas lutas entre forças diversas que tentam modificar a sociedade, volta e meia surge essa violência, tanto da forma concreta da paulada mesmo, como da violência ideológica também que, às vezes, me preocupa mais, porque a violência física é facilmente perceptível. E a violência também pode ser violência conceitual, violência ideológica, ela pode ser muito bem mascarada a partir de argumentações, de sofismos, de argumentações retóricas vazias.

Ricardo Maia Jr.

O que eu acho sobre essa coisa da violência é que a gente vive muito uma época de conquistas, assim, de leis, com outros retrocessos também, claro, mas muita coisa avançou nessa questão do direito, né?! Se for pensar nessa relação, por exemplo, de estabelecidos e outsiders, você percebe que alguns direitos foram conquistados tanto para gêneros e “minorias”, mas o problema é que as coisas não se resumem só a essas coisas legais, né?! O que fica na cabeça tanto da galera ainda que sofreu esse tipo de violência, digamos, e também de quem impôs esse tipo de violência, não se dissipa de uma hora pra outra, mesmo por decreto! É uma coisa que, às vezes, a gente acha que tem menos problemas assim, que não temos mais essa repressão policial e ideológica assim tão direta e tão castradora e violenta demais em vários sentidos, tanto físico quanto ideológico. Mas, de certa maneira, a gente ainda precisa dar essa paulada, precisa perceber que a briga não se resume só a dar direito pra um ou votar na pessoa certa, é uma participação muito maior, que aqui no Brasil…

No caso o Recife mesmo, a gente tem até um histórico revolucionário grande e violento, tanto da época do Brasil para se tornar República, da escravatura também; então, tem várias lutas e vários enblemas de batalhas e tal. Mas a gente vive num paradoxo, meio que nessa sensação de que tudo está meio apaziguado e a gente vive, ao mesmo tempo, essa coisa da violência direta porque é uma cidade muito violenta ainda. Complicado!

E puxando um pouco isso para a coisa da arte mesmo, eu acho que ela precisa muito dessa violência, sempre. A violência na arte é uma coisa que, pra mim, se não existir praticamente não existe expressão artística de interesse. Vira coisa de tiete ou de gente que vai simplesmente saudar suas influências, seus mitos e gênios, as coisas perfeitas, né?! Tem uma coisa de ego engraçada nessa história, porque o artista é um ser egóico por natureza, mas quando entra nessa coisa do cara massagear o ego do outro, simplesmente porque ele acha que aquilo é uma perfeição de forma ou estética, eu acho que isso tem pouco a dizer. A gente vive nessa época que tem muita coisa acontecendo e muita coisa que foi mal digerida, muita gente precisa desse movimento de não olhar as fontes e olhar as coisas que estão diluídas. Coisas que são apresentadas mais facilmente pelo canal de mídia que você vai atrás, eles não vão dar os clássicos nem os polêmicos nem os controversos. Vão dar os mais fáceis! Tipo, sei lá, o cara vai pesquisar alguma coisa de glam rock, você vai ver a coisa mais pasteurizada assim, pra depois ver um Roxxy Music mesmo ou encarar um David Bowie, encarar e saber encarar, porque digerir o negócio não é tão simples assim não. Mas, tu acha que na arte é preciso dessa violência sempre, seja ideológica, seja muitas vezes corporal mesmo?

João Marcelo Ferraz

Então, eu acho o seguinte: calma, violência; violência, calma! Fagner… eu não peço tanta calma da violência não. Mas, enfim, várias vanguardas se utilizaram muito de um discurso violento. A violência não precisava necessariamente ser o objeto de seus discursos, mas havia uma violência embutida nesses discursos, na vontade de eles tentarem se firmar. E, assim, tu falou uma coisa sobre esse tipo de artista que, às vezes, ele está na verdade massageando o ego do outro ou está tentando se guiar ou emular, de repente, um outro. E eu acho que esse tipo de artista, é minha opinião, acho que certos tipos de artistas não têm muita razão de existir. Assim, claro que ele pode viver a vida dele e tal. Mas assim, na forma como eu vejo o mundo, eu acho que esse artista não tem a razão de existir. Assim, se você está trilhando o mesmo caminho de outro, de repente, se esses caminhos me interessarem… Eu estou escutando outro, né?! Eu estou apreciando o outro e não o cara que está seguindo esse caminho aí!

Ricardo Maia Jr.

Só pra complementar, eu acho que essa noção aí vem muito do norte-americano, tá ligado?! Essa coisa do entretenimento muito forte. Isso meio que entra na concepção que a gente tem de arte. Por um lado é bom que dá uma descontração e acaba também com essa coisa do partido político demais na arte, que vemos na arte europeia, principalmente os russos, que são muito carregados da coisa partidária, de sindicato e tal. Tem essa coisa da leveza, mas eu acho que, às vezes, isso se perde demais!

João Marcelo Ferraz

A gente tem que tomar cuidado com leveza demais pra de repente não ficar bobo, né?! E existem certos tipos de artefatos artísticos que são pensados numa lógica de produto, não numa lógica artística mesmo! Assim, a gente pode chamar tudo de arte, mas… eu não glamourizo a arte, eu não acho que arte seja uma coisa legal, uma coisa maravilhosa! Eu acho que houve algumas pessoas que fizeram coisas legais nesse campo de produção humana. Mas eu não acho que a arte está em cima de um altar ou de um pedestal de forma alguma. E bem, o que mais me interessa na arte é a experimentação. A experimentação que eu mais curto é a revolucionária e não a reformista! E olhe que a maioria das coisas que são criadas, eu acho que nem reformistas são. Fica naquele âmbito mesmo de seguir o passo de outros, na realidade. E uma coisa que eu sempre acreditei, isso desde a minha adolescência, quando com 14 anos eu tocava guitarra em bandinha de punk rock por causa das nossas limitações técnicas, eu achava que eu não precisava exatamente…

Claro que a gente é influenciado por alguma coisa, mas eu nunca concordei muito como fato de se deixar influenciar tanto de uma forma tão consciente, isso não me interessa! Eu sempre acreditei que se a gente pegasse um instrumento e fechasse os olhos e tentasse tirar algo que a gente nunca ouviu, é um exercício interessante! Eu não estou dizendo que é uma coisa que a gente consiga fazer, não cabe a mim e nem me interessa julgar se eu consigo fazer isso ou não, mas é um exercício interessante. Eu acho que a gente tem uma lírica e a gente tem um mundo particular, sabe?! E eu acho que os artistas deviam deixar isso mais solto, deveriam mostrar mais isso e ficar menos preso ao que outros revelaram dos seus mundos ou o que deu certo ou foi interessante.

Então, assim, eu estou muito empolgado para essa parada do EP que Ex-exus está querendo fazer, agora, no próximo semestre, porque, na verdade, a gente está querendo fazer um exercício extremamente artificial, um exercício de oficina sem precisar gravar músicas com certas definições, certos padrões estéticos, sem querer definir certos padrões estéticos e técnicos, mas tentando tirar daí o inusitado, né?!

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A banda Ex-exus lançará brevemente “Xô”.

Assim, quando se faz uma entrevista, por exemplo. Quando eu fui fazer uma entrevista para o meu documentário, o Rei do Coco; um documentário que eu fiz há muito tempo. Eu tive que fazer uma série de perguntas para entrevistar o Sebastião Grosso, que era o personagem principal do filme. E tipo, o roteiro é o plano B, né?! O roteiro é aquilo que a gente segue caso nada interessante aconteça. Se algo bom acontecer, a gente não segue o roteiro. Se eu quero gravar algo sobre uma pessoa X ou uma pessoa específica e quando eu ligo uma câmera e uma outra pessoa surge ou um outro acontecimento acontece que é muito mais legal, cara, eu vou jogar o roteiro pra cima, vou pegar a câmera e vou pular em cima disso! Então, assim, um roteiro é só no caso de nada legal acontecer. E como coisas legais, às vezes, são raras, é necessário ter o roteiro. Eu acho que, às vezes, as pessoas não têm noção do tamanho da liberdade que elas têm. Liberdade estética, liberdade artística, liberdade política também! As visões que as pessoas têm sobre as leis, por exemplo, algumas que… às vezes, eu converso com algumas pessoas e sinto uma interpretação de algo, como se fosse algo a priori e que na verdade é algo que foi inventado recentemente. E que isso pode mudar de uma hora pra outra, vide os apocalipses zumbis, né?! As coisas mudam rapidamente a perspectiva com certas manadas de revolucionários que comem cérebros. O Walking Dead é uma revolução! Eu fico sempre torcendo pelos zumbis, eu fico vendo que eles estão querendo construir a sociedade deles e que, de repente, talvez na visão da gente seja um pouco mais primitiva, mas os caras estão nas lutas deles! E a luta deles é válida, eu acho que o partido zumbi aí… eu acho que é algo que pode valorizar a classe! Isso retoma o primeiro papo que a gente teve de direção mais política e num segundo momento mais artístico sobre a falta de noção de liberdade, assim, as pessoas estão se distanciando da noção de que elas podem ir mudar e de que elas podem destruir para fazer algo diferente.

Ricardo Maia Jr.

Eu acho também que a galera se engessa muito, além de achar que a revolução ou a notícia importante vai acontecer pela televisão, mas, tem também essa coisa do trabalho! Muita gente trabalha muito tempo e mal tem tempo pra família. Quanto mais tempo para se juntar e fazer um movimento de Ocupe ou um movimento de reclamação que seja…

João Marcelo Ferraz

Isso é um plano de fazer com que as pessoas trabalhem muito e não tenham tempo pra suas famílias e menos tempo ainda pra politizar; é um grande plano!

Ricardo Maia Jr.

É, muita gente teoriza sobre isso. Deleuze, Rancière! Mas, essa coisa do trabalho é pau, porque, além disso, ainda tem a coisa de você ser um especialista, de você não poder se dedicar a outras atividades. Apesar de que, hoje em dia, se fala muito sobre essa coisa do multicultural, do cara ser multi a puta que pariu, multiartista, multi não sei o quê. Mas, isso ainda é muito pouco desenvolvido no âmbito do trabalho. Na arte, você vê isso, até mais! Você vê muito mais artistas com tendências a fazer várias coisas, mas isso no trabalho ainda é muito difícil e as pessoas ficam muito acorrentadas ao medo de perder o emprego, a ter um emprego de concurso público que vai te dar estabilidade, tá entendendo!? Eu vou atrás de coisas mais seguras! Ainda é um território de lama, movediço e tal. Mas, eu acho que o trabalho tem essas visões que engessam demais, claro, e isso tudo atrelado à noção de entretenimento que estava falando de que a arte acabou incorporando por causa dos americanos, principalmente. Dessa coisa de gênero, de simplesmente ser o reprodutor de um gênero, de você não querer ter uma assinatura, enfim! Claro que a gente tem que se ligar pra acabar não caindo nesse discurso europeu de você ser autoral demais e tal. Não precisa radicalizar como eles radicalizaram porque aí chega nesse ponto do gênio também, que não interessa! Mas aí tem também a questão de você ter autonomia, porque, geralmente, o produtor vai pegar um cara que tenha margem de manipulação! E essa margem de manipulação é a manga que muitos artistas ou músicos ou artistas plásticos ou pintor, eles acabam dando essa manga para poder o cara se sentir à vontade e conseguir falar sobre, porque o cara não vai conseguir falar do que tu é e do que tu faz e não vai botar pra frente, tá entendendo?!

João Marcelo Ferraz

Duas coisas! Sobre sociedade, as pessoas… existe um problema na sociedade, as pessoas amam as suas famílias acima da sociedade. Elas não estão erradas não! Elas não estão erradas, de forma alguma! Mas, isso engessa a gente, de uma certa forma! Eu, de vez em quando, converso sobre política em mesa de bar como entretenimento, como forma de passar o tempo, como uma forma de esperar a minha morte…

Ricardo Maia Jr.

Segundo Roger de Renor, bar é lugar de ansioso!

João Marcelo Ferraz

Agora, assim, segundo aquela socióloga inglesa, que eu me esqueci o nome, fulana Jacobson, ela estudou que era nos pubs londrinos onde se politizava. O happy hour era o grande momento de politização! Porque quando a sociedade se encontra e você deixar de ser doutor ou engenheiro para ser um cara tomando cerveja e conversando de outra forma! Guardadas as devidas proporções, é claro que a perspectiva não é perfeita! Eu acredito que não tem muito deputado federal bebendo com gari, mas, de certa forma, os níveis são mais equiparados.

Mas assim, eu acho que as pessoas vivem querendo melhorias e mudanças, e eu não acredito, pensando no Brasil, não acredito que o Brasil vai funcionar do jeito que eu gostaria que ele funcionasse enquanto eu estiver vivo. Eu acho que nem meu neto vai ver isso! Agora, assim, eu fico pensando, cara, se for pra discutir melhoria política de verdade e rápida pra gente ter um país legal em 30 anos… Às vezes, eu acho que não tem outra perspectiva que não tenha sangue de verdade! Todo mundo acha Paris Linda! A galera gosta de ir pra Paris, nas férias, quem pode! E acha bonito que só! E assim, além da Revolução Francesa que rolou lá… Paris era um grande cortiço que afastava as famílias para as periferias. Quem não topou ser afastado foi derrubado com suas casas ali mesmo e depois construíram uma cidade belíssima! E aí, é muito legal a gente chegar lá e…

Ricardo Maia Jr.

Mas ainda tem o subúrbio que ninguém vai!

João Marcelo Ferraz

Ainda tem o subúrbio que ninguém vai! Ma, é muito lindo você estar no centro de Paris, achando aquilo massa! É um centro lindo banhado a sangue, assim, entendeu?! Na Revolução Francesa, o sangue dos que a princípio estariam em cima e no urbanismo parisiense o sangue dos que estavam embaixo! Se alguém estiver achando que vai mudar realmente algo estrutural no Brasil votando… você não está prestando atenção no mundo! Você não prestou atenção no que aconteceu no mundo nos últimos 8 mil anos, assim, eu estou puxando do Egito Antigo pra cá! Você não prestou atenção, você estava voando mesmo, você estava viajando, e aí, posou no mundo e não sabe o que está acontecendo, né?! Ground control to major Tom

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A Tomada das Tulherias em 10 de Agosto de 1792, de Jean Duplessis-Bertaux.

Mas, eu também digo uma coisa: eu não vou largar meus planos de ter uma família massa para tentar melhorar a sociedade não! Eu não vou abrir mão disso! Eu vou tentar e aí, eu vou cair na mesma história de vários tolos, tentar mudar a sociedade e manter uma família feliz! Tipo, isso é impossível! Você pode fundar uma ONG e ajudar 14 pessoas, mas a gente não vai resolver nada! Mas, mesmo assim, é bom que existam essas pessoas esperançosas! Cada um fazendo a sua parte para continuar quase a mesma coisa! Porém, quase a mesma coisa já é bem diferente da coisa que era! Aos pouquinhos, a gente vai melhorando para, como eu disse antes: de repente, para os meus bisnetos usufruirem um pouco disso, né?! Bem, uma mensagem que eu quero deixar para o mundo é de que todos nós estamos inseridos num processo histórico. A gente não pode cair nessa besteira de tentar se informar a partir da sala de estar das nossas casas e achar que a gente está realmente modificando ou participando das mudanças da sociedade de alguma forma! A pessoa inerte participa das mudanças sociais com a sua inércia, né!?

Ricardo Maia Jr.

São os que mais participam, né?!

João Marcelo Ferraz

São os que mais participam! Não é algo que me preocupa, mas é uma coisa que eu já parei pra pensar em vários momentos da minha vida, sei lá, dos meus 13 anos pra cá. Sobre essas tensões, essas construções sociais e como as pessoas se sentem muito seguras em relação ao mundo como ele é hoje. Como se ele tivesse sido sempre assim e como se a gente tivesse certeza que continuará assim, que é uma perspectiva bem infantil!

Ricardo Maia Jr.

Recife nunca será atacada por furação, nunca vai ter terremoto e o mundo vai ser sempre assim, pô!

João Marcelo Ferraz

Sobre mudanças sociais e sobre a gente enxergar as mudanças e, às vezes, a gente não exercer nossas pequenas forças sobre elas!

(PAUSA)

Enfim, uma coisa que me incomodou e que ainda me incomoda muito é que colocoram o nome de Miguel Arraes de Alencar depois do nome da Avenida Norte! Mas não botaram o nome da Avenida Norte antes do nome de Miguel de Arraes de Alencar, lá na lápida dele, em Santo Amaro. E eu fiquei um pouco incomodado com isso! Porque eu já moro ali perto da Avenida Norte e sempre foi a Norte, pra mim. E um dia, de repente, ela virou a Norte mais um cara; mais outro cara. E aí, eu fui lá ver o cara e ele era só o cara. E eu queria a Avenida Norte lá com ele. Eu queria que ele tivesse sido enterrado junto com a avenida. Eu me senti desrespeitado como cidadão. Eu estou falando sério, não estou brincando não! É engraçado, é muito engraçado; mas assim, eu me senti desrespeitado como cidadão. Não que eu discorde de Miguel Arraes, mas, cara, faz uma avenida nova, velho! A gente está precisando… não vão fazer quarto viadutos, agora?! Bota o nome de… um viaduto Miguel, o outro Arraes, viaduto de e viaduto Alencar, velho! E deixa minha Avenida Norte sozinha! Do que adianta você colocar o nome de uma, entre aspas, estrela numa avenida e não fazer se quer uma melhoria nela. E assim, bem… política no Brasil, assim, na maioria do tempo é isso! Você faz a capa e não mexe na estrutura!

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Ricardo Maia Jr. Escrito por:

Pesquisador, professor e músico da Ex-Exus.

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