Categoria: texto

17 de fevereiro de 2019 /

A última edição da revista Outros Críticos trouxe na seção “opinião” diferentes vozes sobre o tema-mote “A arte é a última esperança”; com ele buscamos refletir sobre as relações entre arte e política, criação, poéticas, trabalho coletivo, cooperação, ativismo, entre outras relações que podem transformar o espaço e as pessoas através do lugar que a arte ocupa na sociedade. Diante do momento político, social e cultural que vivemos atualmente, vale perguntar, refletir, sobre o lugar da arte, dos artistas, dos…

16 de fevereiro de 2019 /

“a arte é o que resiste, ainda que não seja a única coisa que resiste”. (“o que é o ato de criação?”, giles deleuze) primeiro movimento — eu não gostaria de catalogar os artistas em “música política”, “canção crítica” ou mesmo me pôr num “tribunal” da crítica pra limitar e colocá-los sobre a mesma seara. mas em síntese, eu penso que há artistas que seguem uma linha reta (“evolutiva?”) na música brasileira, reproduzindo esteticamente via “imitação” – mesmo com algum…

28 de outubro de 2018 /

O tempo para mim significa esticar os braços o mais distante possível e sentir como cada um dos meus músculos me parte em mil pedaços, ficam dormentes, e deixar que eles apenas se movam e me joguem na cama, e me deixem sozinha, até que acabe o dia. Minha conexão com o mundo me animaliza, meu único semelhante é um cachorro preto, que late toda noite junto a seu prato, por um pouco de comida. Quando estou sozinha deixo que…

28 de junho de 2017 /

A pedido do jornal argentino La Nación, David Toop elencou 10 sons que definem a vida contemporânea. Periquito-de-colar “Nos últimos anos um bando de periquitos-de-colar foi se estabelecendo em um parque ao norte de Londres. Ouvir o seu grasnado tem algo de perturbador, como se de repente tivéssemos sido transportados para algum lugar do sudeste asiático. Trata-se de uma espécie exótica, como os pássaros carpinteiros, do tipo que expulsa as aves nativas e faz subir a pressão arterial dos amantes…

19 de abril de 2017 /

CAMINHAR* A arte seria garantia de sanidade? Desculpe-me, madame Bourgeois, não estou certa disso. A vida, e a espécie humana herdeira de emanações interestelares, precede a arte. Pois, se a arte é via para bem-estar e alívio imediato, é também indício da existência limitada em que nos metemos. Parece simpática, e lógica, a ideia de que toda prática artística tenha como ponto de partida uma intenção existencial. Nesse sentido, a arte antes de produzir objetos carregados (signos), é uma forma…

7 de março de 2017 /

Quem deu a ordem para a PM apreender os adereços da troça Empatando Tua Vista? O grupo de cantorxs, compositorxs e instrumentistas cantando “Morrer em Pernambuco”, de Juliano Holanda, durante o encerramento da apresentação de Flaira Ferro e Wassab no Festival Rec-Beat, no Cais da Alfândega, demonstra que é possível manter-se coletivamente como vozes estéticas e políticas atuantes, sem necessariamente forjar-se um “nome, cena ou movimento” para enquadrá-los. Assim, soltos, com seus corpos e independências, pode-se continuamente morrer e renascer…

1 de fevereiro de 2017 /

A seção “Crítica de Boteco” da revista Outros Críticos promove a cada encontro um debate sobre temas abordados na publicação. Com o tema “A arte é a última esperança”, a última edição foi fotografada por Camila van der Linden e gravada no Sexto Andar do Edifício Pernambuco, no centro do Recife, com a participação do curador e pesquisador Moacir dos Anjos, da poeta e professora Renata Pimentel e da produtora cultural Mery Lemos. A mediação da conversa foi feita por…

21 de dezembro de 2016 /

Minha primeira lembrança musical remete à canção “Aos Pés da Cruz”, dos compositores Zé da Zilda e Marino Pinto. Não a formidável gravação de Orlando Silva que tocava sempre em casa, mas a inesquecível performance de meu pai lavando louça. Sendo esta sua única tarefa doméstica, meu pai a desempenhava com indisfarçável entusiasmo, desfilando um precioso repertório que ele aprendeu ouvindo rádio durante sua infância e adolescência entre as décadas de 1940 e 1950 na Bahia. Influenciado pelos grandes cantores…

20 de dezembro de 2016 /

Durante a infância, por algum motivo eu tinha pânico de seres do outro planeta. Não consigo dar uma definitiva resposta sobre o motivo disto. Talvez tenha sido a influêcia de algum filme, algo impróprio para minha idade. Lembro de ter assistido, na TV, o clássico Alien, de Ridley Scott, quando criança, durante férias da família em uma praia sergipana. Aquilo me apavorou tanto a ponto de um tio-avô meu, que assistia ao filme comigo, me consolar dizendo “isto não é…

6 de setembro de 2016 /

Nos últimos 20 anos, entre Baile perfumado (1996) e Aquarius (2016), diferentes teorias têm surgido para tentar explicar o êxito do cinema pernambucano nos maiores festivais de cinema nacionais e internacionais. Mesmo que os filmes produzidos no estado ainda não tenham alcançado um sucesso absoluto nas bilheterias, é inegável a contribuição estética e a originalidade das obras, respaldas pela crítica e provocadoras de discussões para além do campo artístico. Nenhuma das hipóteses levantadas, no entanto, conseguiu identificar precisamente as razões…

4 de agosto de 2016 /

as palavras pesam tanto quanto as personagens que transitam por essa cidade em nervos. os olhos se viram, cabeças erguidas espiam as cidades. wroclai é som longínquo, ruidoso, se mantém em loop. o trator de paulinho do amparo é feito de metal e carne. está cada vez mais visível a nossa vida subterrânea. os corpos em trânsito estão travando felizes na rede. norões, esses dos contos como atos que se relacionam. vozes que constroem mapas para labirintos. essas histórias repletas…

4 de agosto de 2016 /

a escrita de rodrigo campos sobre suas próprias canções alarga a experiência da escuta e compreensão da obra para espaços que frequentemente são mais nebulosos ou mesmo íntimos, reclusos no lugar em que habita o processo de criação do artista, ou mesmo dos outros músicos que dialogam com ele. esse movimento reflexivo desdobra numa outra linguagem (a escrita) o ímpeto pela criação. lugares-comuns são quebrados por essa ação. sim, criação e crítica podem andar juntas. a crítica do artista não…

4 de agosto de 2016 /

a dicção permanece em marcha circulando entre os temas ordinários que são suas canções. a sua fala-canto é essa dicção extra-ordinária, pois entre a voz, o piano e o texto, o mal-dito se torna visível a olhos nus. como o ordinário continuamente se desloca por sua dicção, é possível que suas composições continuem invisíveis para olhos menos acostumados aos mal-ditos. lá de lisboa, é o que ele nos conta de suas maldicções. (c.g.)   Bakery People by Glauco César Segundo…