Categoria: Resenha

8 de agosto de 2014 /

por Carlos Gomes. I – limbo emergiu, Volto ao tempo em que o álbum limbo era uma obra em progresso. Releio com certa curiosidade o ensaio “do absurdo ao limbo” e investigo que expectativas eu tinha para o próximo disco da Rua. Eis um trecho: “Irmos do absurdo ao limbo (próximo disco da banda) será como propor um entrelugar estético para novas jornadas e experiências. As faixas pré-mixadas de limbo que chegaram até mim são recompensas para os ouvintes que…

27 de julho de 2014 /

   por Carlos Gomes. Vozes e cordas ganham corpo, novas cadências, realinham para outros arranjos os costumeiros voz-e-violão da música folk caracterizada pelas cordas de aço, harmonias enxutas e letras político-homéricas, no qual a figura do trovador tão bem cabe – aquele que ao cantar discursa, conta estórias. As canções lançadas hoje para download gratuito do EP Slowly, de Ana Ghandra, têm o violão de aço como cerne, mas passam ao largo de reproduzir esse estereótipo. Gravado nos estúdios da…

15 de julho de 2014 /

por Jeder Janotti Jr. Jean Nicholas é um explorador de estilhaços e suas canções ora funcionam a partir de um certo ranço, ora de uma ojeriza contra a mesmice e o esnobismo pop laureado que repete em onda a última nova moda do mundinho musical cult. Como todo bom corsário, Jean Nicholas e a Bueiragem (2014) não se furtam a pilhar misturando origens sem ecletismos fáceis. No álbum marcado por vertigens produzidas pelo flerte com gêneros musicais distintos (funk, reggae,…

7 de maio de 2014 /

por Bruno Vitorino. Vivenciamos na produção musical contemporânea um estranho fenômeno que se alastra com velocidade crescente: a substituição da obra de arte enquanto acontecimento único pelo fluxo contínuo dos estímulos sensoriais e efêmeros. Nesse sentido, testemunhamos os desdobramentos de uma indústria cultural voltada para a massificação extrema da produção artística, contornando os agora desnecessários requisitos da técnica, do talento e da experiência individual da arte, para fornecer ícones embusteiros, servidos na bandeja midiática do “novidadismo” e da transgressão estética…

10 de abril de 2014 /

por Leonardo Vila Nova. A condição do homem diante de um mundo ao qual precisa se adaptar, sem abrir mão do que lhe é essencial. O músico Juliano Holanda enfrenta essa questão existencial de forma ousada, através da música. Em seu segundo CD solo, Pra saber ser nuvem de cimento quando o céu for de concreto (2013), ele quebra seus próprios paradigmas e põe si mesmo – e o grupo que lhe acompanha – à prova, com o desafio de…

25 de março de 2014 /

por Guilherme Gatis*. A banda de música instrumental Kalouv foi buscar no Esperanto o nome para seu segundo álbum, Pluvero (2014). O termo, que remete à gota de chuva, simboliza, de acordo com o release de divulgação do álbum, “mudança permanente, onde o menor dos elementos é relevante na construção do novo”.  A metáfora sugerida pelo texto de divulgação ainda cita Nietzsche, com a seguinte referência: “Cada instante devora o precedente, cada nascimento é a morte de incontáveis seres, gerar,…

7 de janeiro de 2014 /

por Thiago Pininga. Não basta dizer que a arte existe porque a vida não basta: uma frase escrita assim solta, como um Ferreira Gullar, sem dar créditos ao Fernando Pessoa, parece querer ser lida sem concluir nada, e, no entanto, a arte existe porque a vida existe. E basta. O poema longo Caçador de Mariposas (2013), do pernambucano Wellington de Melo, por exemplo, comprova que arte e vida caminham juntas. Depois de alguém perguntar se o filho era “doidinho”, encontra-se…

4 de setembro de 2013 /

O metal não negocia sutilezas. Nessa trilha, o disco Foda-se (2013) é um manifesto sonoro, uma maçaroca Death/Trash que faz com que o corpo do ouvinte não diferencie mais percepção interna e externa do som. Não dá para ouvir de outro modo se não entregando-se à música sem notar o que é “entorno” e o que é corpo. Ouvindo no headphone ou no som de casa perde-se a noção de música e barulho. O som da banda Desalma pode ser…

10 de agosto de 2013 /

Angelo Souza resolveu se cercar de canções cronicamente confessionais para estrear com o disco Molho. Sob a alcunha de Graxa, rodeado de amigos-músicos, entre eles D mingus – que trabalhou na co-produção do álbum juntamente com o próprio Graxa –, fez da confissão um método de composição que, em medidas desproporcionais, correria o risco de soar clichê e ultrapassado. Não foi o caso. A habilidade de Graxa em traduzir os pequenos desastres do dia a dia em música fez das…

8 de agosto de 2013 /

A banda Ex-exus sempre teve a subversão como alicerce na produção de suas obras, fossem elas canções, vídeos, fotografias ou suas performáticas apresentações musicais. Não consigo ouvir o primeiro disco dos Ex-exus, Xô, sem pensar na Comuna Experimental (depois rebatizada Comuna) e no disco JMB em Comuna. As canções de Xô são desenvolvimentos desses trabalhos, porém, com outros filtros estéticos a dominar o ambiente de criação. A teoria da carnavalização desenvolvida por Bakhtin pode caber como escopo crítico para uma…

11 de julho de 2013 /

O músico Paulo Paes pôs na estrada a sua inacabada concepção de arte. Reunindo amigos sob a alcunha de Paes, gravou dez canções, algumas lançadas anteriormente em EPs, e trouxe alguns deles para subirem ao palco e darem voz à poética particular de suas músicas. Na formação da banda, Filipe Barros (guitarra e vocais), Rafael Gadelha (baixo), Rapha B. (bateria) e Ana Ghandra (vocais). Sem Despedida (2013) foi gravado no estúdio da universidade Aeso Barros Melo, com produção de Filipe…

9 de julho de 2013 /

Há uma geração em Recife que parece ter conseguido se livrar da maldição Mangue. Por trás de suas composições não há mais ecos de resgate de tambores, nem conexões pop-cult-cabeça com a nova MPB. Esse caminho sonoro engloba propostas diferenciadas e de diferentes matizes, não parece haver unidades ou centros a não ser o agrupamento de gente que quer fazer música e, na maioria dos casos, Rock. Uma das pontes que parece mais interessante para seguir esse caminho não passa…

6 de julho de 2013 /

O último álbum de Zeca Viana, Psicotransa (2013), gravado na Casa do Mancha, em São Paulo, com produção de Diogo Valentino, é um exercício musical que impõe uma marca estética que deixa poucos espaços para surpresas. Zeca e os músicos que o acompanham têm domínio da situação. A consagrada experiência do músico em gravações caseiras e como músico da Volver, Rádio de Outono e Labirinto, deu-lhe a maturidade necessária para que o seu segundo disco tivesse esse acabamento. O ordenamento…