Categoria: Entrevista

2 de dezembro de 2015 /

por Carlos Gomes. É curioso que um dos heterônimos mais intrigantes de Fernando Pessoa, aquele que escreve no poema “Tabacaria” os versos: “Quando quis tirar a máscara,/ Estava pegada à cara./ Quando a tirei e me vi ao espelho,/ Já tinha envelhecido”, tenha o mesmo sobrenome de nosso entrevistado. Tal coincidência se revela enriquecedora por Pessoa e suas máscaras-personagens, a exemplo da criação de Álvaro de Campos (ou Toshiro, no caso de Rodrigo), ter uma ligação íntima com a poética…

10 de novembro de 2015 /

A seção Crítica de Boteco promove a cada encontro um debate sobre temas abordados na revista. Com o tema “Corpo, gênero e deslocamentos”, esta edição foi fotografada por Úrsula Freire e gravada no Edifício Texas, no Largo de Santa Cruz, em Recife-PE, com a artista visual Joana Liberal e com a mestranda em psicologia da UFPE, Aida Carneiro, que é integrante do Gema (núcleo de pesquisas em gênero e masculinidades). A mediação foi feita por Karol Pacheco e Fernanda Maia,…

27 de outubro de 2015 /

por Marina Suassuna. Falar de segregação social por meio da sexualidade foi a bandeira levantada pela Textículos de Mary e a Banda das Cachorra, extinto grupo pernambucano de punk rock, enquanto esteve em atividade, de 1998 a 2004. Tão irreverente quanto o conteúdo das músicas eram as roupas e a performance dos integrantes, que uniam crítica e escracho numa atmosfera sórdida, típica do submundo – artifício usado para falar da violência e intolerância com as minorias. Travestidos de mulheres, Chupeta…

7 de outubro de 2015 /

por Bruno Nogueira. Se o frevo fosse uma pintura e a apresentação do Maestro Spok fosse colocada lado a lado de uma de, por exemplo, Maestro Duda, as diferenças seriam gritantes. “Isso que você faz não é frevo” é uma frase que Inaldo Cavalcante de Albuquerque, nascido em Igarassu, ainda escuta. Da primeira vez que vestiu sua orquestra de terno e retirou os passistas e que, mais uma vez, deverá ouvir quando seu terceiro disco de estúdio for lançado exclusivamente…

21 de julho de 2015 /

por Outros Críticos. A seção Crítica de Boteco, da revista Outros Críticos, promove a cada encontro um debate sobre temas abordados na revista. Com o tema “Ruínas e Cultura”, esta edição foi gravada no bar e restaurante Aroeira, no Pátio de São Pedro, em Recife-PE, com a artista visual e pesquisadora Bruna Rafaella Ferrer e o jornalista Renato Lins. A mediação do debate foi feita por Karol Pacheco e Carlos Gomes. Ainda contamos com o registro fotográfico de Igor Marques.…

5 de junho de 2015 /

por Carlos Gomes. A música para Hugo Linns é um estado de vigília. Permanentemente um solitário colhendo as influências que o cercam e reconstruindo uma tradição que não é autorreferente, mas contaminada pelas coisas do mundo. O silêncio dos mais velhos que, mesmo negado, incomoda, mas estimula as experiências para com a música, não dá aos mestres o direito de apontar os caminhos a se seguir – os sons da viola não são rupturas, mas desvios de rota, ou mais,…

16 de abril de 2015 /

por Carlos Gomes. Os olhos estão cada vez mais negros. Escutar é fitá-los sem receio deles nos atravessarem. A voz concentra e expande um punhado de palavras e imagens como rebentação. Estar em seu contato é saber-se perto do precipício. Como de costume, a cantora, compositora e percussionista Alessandra Leão envolve o ouvinte num emaranhando de referências vivas e estimulantemente passíveis de manipulação, não no sentido de pejorativo do termo, mas como matéria-prima para a criação. É ela mesma o…

7 de abril de 2015 /

por Carlos Gomes. Paulo Paes transita entre Recife e Olinda. Suas canções rebatem uma lírica afetuosa repleta de cores cinzas – como ruas, ruído, fumaça e solidões – num mar imenso, verde, azul e ensolarado. “Porque o samba é a tristeza que balança.” E ao identificar sua trajetória artística entre essas duas cidades, com seus avessos, suas particularidades e poéticas próprias, Paes assume o risco e faz da música um estado híbrido e transitório. Seu canto aguça os ouvidos e…

3 de março de 2015 /

por Carlos Gomes. A banda Rua é envolta em interdições. Quantos são? Onde vivem? O que cantam? A espacialidade é um conceito que ultrapassa as questões sonoras. Falar de música é compreender as interrupções e silêncios que existem em volta deles. Criar é muito mais que o ato mero de compor desesperadamente uma canção. Inventar espaços de escuta, escrita, imagem, audiovisual e dança são as formas que a banda encontra para diminuir as distâncias, romper com as fronteiras artísticas que…

13 de fevereiro de 2015 /

por Carlos Gomes. Jam da Silva não foi encontrado. A personagem que arquiteta canções que não se vinculam estritamente a características de um estilo, categoria, gênero ou mesmo de uma cena musical, se desfaz com naturalidade das expressões preconcebidas que perseguem alguns músicos. Este grande guarda-chuva da World Music, preguiçoso e acrítico, nunca pôde o acobertar. Jam não tem tido tempo para se resguardar sobre qualquer cobertura que seja. É nômade, mas não estrangeiro. Porque o estrangeiro finca raízes na…

15 de janeiro de 2015 /

por André Dib. Após estreia sete vezes premiada no Festival de Brasília e lotação no Cinema São Luiz no último Janela Internacional de Cinema, o longa pernambucano Brasil S/A ganha novo fôlego: acaba de ser selecionado para a mostra Forum do 65º Festival de Berlim. Como define o próprio festival, o Fórum Internacional do Novo Cinema (nome não abreviado) é a parte mais ousada da Berlinale, dedicada a “avant garde, trabalhos experimentais, ensaios, observações de longo prazo, de cunho político…

21 de novembro de 2014 /

por Carlos Gomes. Neste exato momento, enquanto escrevo, enquanto você lê, cai por acaso nesta página, Juliano Holanda está compondo uma nova música. Uma que talvez nunca escutemos, já que pode ser desde uma melodia, pedaço de letra, harmonia que seja. A arte de Juliano está em compulsivamente criar; o prazer incide nessa ação natural de quem vê na música muita mais que uma profissão. Não são músicas para o mercado. Tantas criações justificam o número considerável de canções gravadas.…

30 de setembro de 2014 /

por Carlos Gomes. O músico, ilustrador, designer e contador de estórias Matheus Mota está perdido. E é essa perdição que dá sentido à sua música. Se a autoironia narrativa do primeiro disco, com suas impressões pianísticas dos barulhos de rua do Recife inventário que ele mesmo criou, lhe pôs numa cadeira que ninguém havia ousado sentar na cena musical contemporânea de Pernambuco, foi preciso perceber que há poucos alunos em sua sala. Ouvindo as músicas de seu novo álbum, se…