Categoria: Artigo

18 de fevereiro de 2013 /

Vivemos em um período bem interessante para quem possui uma banda. Os recursos para gravar, editar, mixar e masterizar um disco estão bem mais que acessíveis. As plataformas para divulgação são as mais diversas possíveis, basicamente todas gratuitas. Para formar e manter contato com um público cativo, as redes sociais são uma mão na roda. Um cenário quase perfeito para quem tem seu projetozinho musical, né verdade? Por um lado, sim, mas talvez seja menos fácil do que parece. A…

15 de fevereiro de 2013 /

Tendo a Bossa Nova (BN) se caracterizado como um movimento musical voltado contra o “estrelismo” e contra o culto do “solista”, desenvolveria, por outro lado, o sentido do trabalho de equipe. Se anteriormente, numa gravação, o importante era o “cantor” — sua foto, seu nome e seus gemidos… —, sendo todos os trabalhos restantes entregues à rotina mais impessoal, após o advento da BN, estilo musical originalmente voltado para o detalhe, todos os participantes de uma realização musical gravada passaram…

14 de fevereiro de 2013 /

Igor Stravinsky (1882-1971), por uma daquelas coincidências ou acasos que ocorrem na história da humanidade, faz um paralelo entre os compositores da Tropicália, os elementos de bricolagem ou como ele próprio chama, pastiche, e a habilidade em lidar com ritmos, mexendo na ordem e com a ortodoxia rítmica da época, com a mesma ousadia das características do movimento tropicalista. A comparação entre Stravinsky e Picasso no mundo da pintura é inevitável. E o paralelo entre ambos não ocorre apenas em…

5 de fevereiro de 2013 /

(o caixão está vazio) o famoso pós-moderno não é um conceito tão bem explicado como costumam pregar nos círculos intelectuais e semi-intelectuais. o mais comum de se ouvir e ler é que o pós-moderno não acredita na crítica (já que o fato não existe mais a análise se torna obsoleta) não se trata (quando falamos sobre a morte do fato) da inutilidade crítica – já que ela, a crítica como a vejo, não visa uma imposição –, mas da utilidade…

21 de janeiro de 2013 /

Em junho de 1972, no período pós-tropicalista, quando Caetano Veloso havia acabado de retornar ao Brasil depois do exílio em Londres, o músico escreveu: “O tropicalismo foi uma árvore de mil frutos. Digo isso sem orgulho, sem remorso. Os frutos pecos e podres se espalharam pelo chão e ninguém melhor instalado para sentir-lhes os fuçadores de raízes”. O manguebeat e a tropicália guardam, seguramente, inúmeras diferenças, mas é possível percebermos certas características comuns aos dois movimentos culturais (ou movimentações, como…

21 de janeiro de 2013 /

  “A crítica e a criação podem andar juntas” [1] (Lourival Holanda)   A vontade de organizar em livro[2] os ensaios que Ricardo Maia Jr. escreveu durante seis meses no blogue Outros Críticos, nasceu não pela escrita, mas pela oralidade do debate. Refiro-me ao primeiro encontro do projeto “Outros Críticos convidam”, que tinha como tema: “Retoques da Tradição na Canção Popular”, com participação de Ricardo e do cantor e compositor Zé Manoel. Como se tratava da 1ª edição de um…

3 de janeiro de 2013 /

“O fato é que cada escritor cria seus precursores. Seu trabalho modifica nossa concepção do passado, como há de modificar o futuro.” (Jorge Luis Borges)   A canção “A Bossa Nova é foda”, que abre o novo disco de Caetano Veloso com a BandaCê, Abraçaço (2012), formando uma trilogia com os álbuns Cê (2006) e Zii e Zie (2009), retoma criticamente o movimento musical que revelou Tom, Vinicus, Lyra, entre outros, mas, sobretudo, João Gilberto. A música impõe uma outra…