Autor: Rafael de Queiroz

Doutorando em Comunicação pela UFPE e repórter da MI (Música Independente).

30 de setembro de 2016 /

Quatro anos depois de Crônicas da Cidade Cinza (2011), o rapper Rodrigo Ogi lança seu segundo álbum, RÁ! (2015) que vem para consagrá-lo como um dos grandes do rap nacional. As temáticas e os elementos estéticos que já o identificavam anteriormente continuam e parecem cada vez mais maduros, ajudando a solidificar sua atual posição. Nas primeiras, ainda estão presentes as constantes referências ao universo da cultura pop, como videogame, quadrinhos e cinema; e as “histórias das quebradas do mundaréu” e…

23 de dezembro de 2015 /

por Rafael de Queiroz. Não há exageros ao se afirmar que A Mulher do Fim do Mundo (2015) já nasce essencial. Visceral, impacta; a originalidade, surpreende. Não há como passar batido, despercebido no rio lamacento, e claro, insosso, que banha a MPB mais tradicional. Sendo um ícone do gênero, nos seus quase 80 anos de idade, Elza Soares poderia estar lançando um disco de grandes sucessos do samba, regravando, escorada numa preguiça comum dos consagrados, ou pior, interpretando novos artistas…

31 de outubro de 2014 /

por Rafael de Queiroz. Jauja é o sétimo filme do argentino Lisandro Alonso e o primeiro a usar atores profissionais e uma parceria no roteiro, o poeta e jornalista Fabian Casas. O filme ganhou o Prêmio da Crítica em Cannes esse ano e conta com Viggo Mortessen (Gunnar Dinessen) no papel principal. . O filme é rodado em 4:3, o formato clássico, com cores saturadas e uma fotografia maravilhosa. Jauja é um lugar de riquezas e possibilidades, como Eldorado, mas…

27 de outubro de 2014 /

por Rafael de Queiroz. No clima tenso das eleições, a programação do domingo dentro do Festival Janela começou com uma película que ajudou a acirrar os nervos do público. O longa sueco Turista (Force Majeure) é um thriller que provocou risadas nervosas durante sua projeção e conta a história de uma família aparentemente perfeita que vai passar as férias num luxuoso hotel localizado nos Alpes Franceses. Tomas e Ebba formam um par atraente e junto com seu belo casal de…

25 de outubro de 2014 /

por Rafael de Queiroz. O VII Festival Janela Internacional de Cinema começou, como havia de se esperar, com a casa cheia. Além das enormes filas para se comprar o ingresso adiantado, a sessão de estreia ainda contou com alguns problemas técnicos na sala, o que atrasou um pouco o início da sessão. A questão do grande tempo de espera na fila foi até tocado pelo diretor Marcelo Pedroso, que agradeceu ao público presente que fez um grande esforço para poder…

24 de outubro de 2014 /

por Rafael de Queiroz. O festival Janela Internacional de Cinema chega à sua sétima edição e se consolida como um dos eventos mais importantes no circuito audiovisual brasileiro. A combinação de uma programação vasta com uma curadoria de qualidade promete deixar os cinéfilos angustiados. A espinha dorsal do Festival se mantém, acrescida de algumas novidades. Ainda teremos a produção pernambucana e nacional se interconectando aos olhares de fora, na mostra competitiva de longas e curtas; a exibição especial de longas…

10 de setembro de 2014 /

Figura menos conhecida da Vanguarda Paulista, Goemon lançou um álbum homônimo que só vim a conhecer recentemente através do músico Graxa, mas que logo que ouvi, me causou deslumbramento. O músico é oriundo do movimento que ocorreu no fim dos anos 1970, mas que também percorreu os anos 1980, e contava com nomes importantes como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Grupo Rumo, Patife Band, Língua de Trapo, entre outros. Esse agrupamento pode ser caracterizado como cena, apesar da profusão de estilos…

14 de novembro de 2013 /

por Rafael de Queiroz. Olinda, 10.11.2013 Mais uma vez, o repórter que vos fala foi conferir outro evento de música em Olinda. Mas dessa vez, posso afirmar, estava me sentindo incauto. Eu e outros presentes ali tínhamos apenas uma noção do que nos aguardava, apenas uma noção. Cheguei meio desconfiado, admito, quando percebi a quantidade de gente, mínima, pela frente do Xinxim da Baiana e, quando uma pessoa da produção avisara que tinha tido um pequeno atraso, eu já podia…

31 de outubro de 2013 /

por Rafael de Queiroz.  Sábado, 26/10, e mais uma vez um destino que está se tornando praxe para se vivenciar a vida cultural local mais relevante: A Casa do Cachorro Preto, Olinda. O lugar vem produzindo ou abrigando uma série de acontecimentos vitais para a circulação de ideias e vivências em diversas linguagens artísticas da Região Metropolitana do Recife e, na minha humilde opinião, já corre por vias de se tornar um lugar mítico: ponto para os donos e produtores…

10 de junho de 2013 /

D MinGus parecia ser um dos mais talentosos músicos autores da nova geração na qual se insere o Desbunde Elétrico, formalmente – se que é que podemos usar essa palavra no contexto; Cena Beto, intimamente. Digo parecia, porque se existia alguma dúvida em relação a isso, acredito que tenha sido sanada com Fricção (2013), seu mais novo álbum. Do primeiro disco, mais ligado ao rock, passando pelo segundo, mais folk, o músico agora utiliza mais elementos da música eletrônica, fazendo uma…

1 de maio de 2013 /

Escrevo essa coluna ouvindo Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua, primeiro álbum do cantor e compositor Sérgio Sampaio, lançado em 1973 e que, para mim, é um petardo da música brasileira. Dificilmente aceitaria uma crítica negativa desse disco ou do próprio Sampaio. Gênio e incompreendido, ou seriam essas palavras sinônimos? Esse disco foi impulsionado pelo estrondoso sucesso da música homônima no Festival Internacional da Canção de 1972, depois que o compacto chegou a vender 500 mil cópias. Ironicamente,…

4 de março de 2013 /

Esse personagem estranho do mundo da música não recebe os holofotes da crítica especializada ou da academia. Talvez, isso seja perpassado pelo aspecto negativo que muitos têm diante dessa figura. Para provar isso, podemos até citar o pesquisador e crítico musical inglês, Simon Reynolds, que no seu livro Retromania (2011) afirma que, para ele, os colecionadores eram apenas “loucos que fetichizavam formato e embalagem – vinis coloridos de sete polegadas, versões japonesas de álbuns” (p. 86-87), até que um dia,…