Autor: Jeder Janotti Jr.

Professor do Programa de pós-graduação em Comunicação da UFPE.

20 de setembro de 2013 /

Não se trata de discórdia. Trata-se de expatriar um fantasma. Lembro agora de um comentário, elegante é verdade, de Renato L. no Facebook sobre o (pré)suposto superdimensionamento da psicodelia pela tal nova música pernambucana. Refazendo a bagunça, os tais desabituados de reverências, esses seres quaisquer: os infames da desconhecida Cena Beto, agora estariam se arvorando herdeiros da tradição psicodélica pernambucana: 1)    Como se essa, como outras, não fosse mais uma tradição inventada. 2)    Como se donos houvesse desse jogo de…

4 de setembro de 2013 /

O metal não negocia sutilezas. Nessa trilha, o disco Foda-se (2013) é um manifesto sonoro, uma maçaroca Death/Trash que faz com que o corpo do ouvinte não diferencie mais percepção interna e externa do som. Não dá para ouvir de outro modo se não entregando-se à música sem notar o que é “entorno” e o que é corpo. Ouvindo no headphone ou no som de casa perde-se a noção de música e barulho. O som da banda Desalma pode ser…

20 de agosto de 2013 /

No faroeste No Tempo das Diligências, de John Ford, um médico bêbado, após fazer um parto inesperado em pleno deserto do Arizona, afirma: “O novo é sempre mais bonito!”. Cenas musicais e movimentos culturais são forças de um jogo permanente em que há estabilizações, questionamentos, releituras e reconfigurações de quem veio, passou ou continua na área. A história do rock é um constante processo de “incorporação” e “excorporação”. Será que alguém acredita que os Rolling Stones podem, hoje, produzir algum…

19 de agosto de 2013 /

Lançamento da Coletânea O.N.I. na Casa do Cachorro Preto em Olinda Parecia mais uma vez que a chuva iria enlamear mais um evento da tal Cena Beto. Em junho, o festival Desbunde Elétrico já havia sido adiado porque o mundo, quer dizer, Recife, estava em águas.  O domingo amanheceu sob canivetes aquáticos, que como muitos sabem, ferem nossas cidades e sensibilidades. Rapidamente, após os primeiros sinais de desânimo dos conectados de plantão, Juvenil Silva e sua trupe  invadiram o Facebook…

16 de agosto de 2013 /

Na segunda edição da indie(gesta) “Caranguejada do Beto”, o músico Ricardo Maia Jr. (Ex-Exus) deu a definição mínima e intensa do que diabos, afinal, seria a cena musical recifense autodenominada Beto: “Uma grande trolagem”. Eu, do lado de minha assumida rabugice, continuo a achar que são um bando de “desterrados”[1], habitantes sonoros do Recife que fogem da maldição da tradição cultural dita autêntica, suposto bom gosto travestido de ecletismo insosso (e sem molho). Foi pensando nisso que andei ruminando uma…

28 de julho de 2013 /

Um nome é como um rótulo, serve para pensar quem somos ou quem não somos. Uma definição mínima de identidade é “noção de si”. Já uma cena musical é um grupo de músicos, fãs, produtores e críticos que se jogam em cena, dramatizam, teatralizam esse agir comum.  Não por acaso, músicos de uma cena sem nome, talvez do movimento dos sem cena, buscavam sua autorreferência. Foi com esse propósito, que em torno de uma brincadeira do músico Graxa, que Aninha…

8 de julho de 2013 /

Há uma geração em Recife que parece ter conseguido se livrar da maldição Mangue. Por trás de suas composições não há mais ecos de resgate de tambores, nem conexões pop-cult-cabeça com a nova MPB. Esse caminho sonoro engloba propostas diferenciadas e de diferentes matizes, não parece haver unidades ou centros a não ser o agrupamento de gente que quer fazer música e, na maioria dos casos, Rock. Uma das pontes que parece mais interessante para seguir esse caminho não passa…

7 de maio de 2013 /

Para quem está longe dos (Ar)Recifes, parece que nosso universo musical está restrito ao frevo do carnaval, ao patrimônio Mangue e aos três grandes festivais que marcam o calendário “turístico-musical” da cidade: Abril Pro Rock, Coquetel Molotov e Rec Beat. Recentemente, tivemos a abertura de nosso ano sazo-musical: o Festival Abril Pro Rock. Apesar do nome, o evento consegue unir roqueiros, popeiros e indie(gestos). Como é useiro e vezeiro no Recife, há um clima de bochicho numa crítica à curadoria…

30 de março de 2013 /

Há um indivíduo soturno e sorumbático que ronda botecos e casas de shows má afamadas na cidade do Recife. É um estranho híbrido que mescla smurf ranzinza, Rob Fleming (o dono da loja de discos de Alta Fidelidade) e o Pateta de Walt Disney. Apesar de gostar de Matheus Mota e Ex-Exus, ele se sente excluído quando o jornalista Silvio Essinger do O Globo “descobre” a “nova”, velha, cena recifense do Desbunde Elétrico. Não é que esse personagem não goste…