Assustado Discos (outtakes)

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O selo Assustado Discos está presente nas seções “crítica de boteco”, “artigo” e “resenha” da 2ª ed. da revista Outros Críticos, que será lançada no final de março. O texto desta postagem é uma sobra do artigo de Raquel Monteath intitulado “Velhos hábitos, novas formas de consumo da música”. Foto: Divulgação/Assustado Discos

Por Raquel Monteath.

Consumidor assíduo de discos desde sua pré-adolescência, o produtor cultural Rafael Cortes, dono do selo independente Assustado Discos, resolveu concretizar o sonho antigo de trabalhar com vinis. Com cerca de 5.000 unidades catalogadas e organizadas por estilo e ordem alfabética em sua casa, Rafael faz parte de uma geração cuja cultura televisiva explicitamente vinda da MTV Brasil, nos anos 1990, foi determinante no seu jeito de consumir música.

“(A MTV) Foi, sem dúvida, uma fonte de referência muito grande. Quando começou o boom dos selos, mesmo que atrelados às grandes gravadoras, comecei a me identificar com a possibilidade de fazer as coisas de forma independente, diferente do mainstream”, conta Rafael, que começou a se corresponder por carta com diversos selos, como o Banguela Records, dos músicos do Titãs, que lançou o primeiro disco homônimo dos Raimundos.

“Desde essa época me despertou essa vontade. Fui amadurecendo, criando uma história profissional maior com a música e começando a colocar em prática um sonho antigo. Participei de uma retomada de consumir vinil no começo dos anos 2000 e comecei a garimpar muito em selos. Este é o formato que me interessa mais, apesar de todos terem o seu valor”, conta o empresário, “as pessoas criaram este rótulo de que o vinil é melhor, mas acho que todos os formatos podem atingir grandes qualidades de audição se utilizados com os equipamentos apropriados”.

Diante das dificuldades de se transformar de consumidor assíduo à empreendedor, Rafael realizou o primeiro lançamento da Assustado Discos, com o disco da Devotos, em parceria o selo Vinyl Land, de Belo Horizonte, que tinha à época uma relação com uma fábrica inglesa. O acordo foi de que a Vinyl faria toda a logística, e a Assustado se viraria para trazer o produto para o Brasil, o que acabou sendo um trabalho gigantesco. “Depois dessa experiência, resolvi apostar na Polysom com o disco dos Inocentes, em 2012, e o resultado foi muito satisfatório. Fiquei feliz de poder investir e potencializar nosso mercado local, inclusive para tentar baratear esse custo final, que gira em torno de R$50 e 80 o título”, comenta Cortes, que classifica a distribuição da Assustado como “de guerrilha”. “Apesar de ter parceiros, sou sozinho, ou seja, como sou um consumidor antigo, tenho uma relação pessoal muito forte com lojistas no Brasil inteiro”, diz.

Com quatro nomes na bagagem da Assustado Discos – Inocentes, Devotos, Wander Wildner e Dj Dolores –, Rafael comprova, através de suas participações em feiras especializadas, como a da Passadisco, e em festivais de música como o Coquetel Molotov e o Abril Pro Rock, que o mercado não deixará tão cedo de ser um nicho. “É muito mais como uma vitrine para o público, além de um bom espaço para trocas entre selos. O maior vazante de vendas ainda é o on-line, por e-mail ou Facebook”, aponta.

Foto de capa: Priscilla Buhr

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Raquel Monteath Escrito por:

Jornalista. Trabalha na TV Brasil.

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