Por uma discografia nordestina: 1902-1919

Este texto é o primeiro de uma série de oito artigos que propõem o levantamento de uma discografia da música produzida por compositores e intérpretes nordestinos, partindo da fase inicial da indústria fonográfica brasileira, em 1902, e chegando até o final do século XX. Não se trata de uma lista de “melhores discos”, nem mesmo de uma discografia técnica e definitiva sobre o tema – o que seria dificílimo, ou mesmo impraticável, com o espaço e os recursos disponíveis em um site dedicado à crítica cultural. É, antes de tudo, uma tentativa de reflexão sobre as muitas transformações ocorridas no campo da música produzida por artistas nordestinos, quer estivessem atuando diretamente no Nordeste, quer em outras regiões do país. Apesar de modesto e incipiente, trata-se de um esforço para reunir obras, informações e arquivos dispersos em bibliotecas, discotecas e websites que frequentemente não se conectam ou dialogam, de modo a facilitar a construção de uma perspectiva histórica da cultura musical nordestina.

Diante das limitações de recursos, espaço e tempo, um dos critérios para a seleção das obras comentadas nesta série foi a preferência pelas formas musicais mais próximas ao que entendemos como tradição cultural do Nordeste. Não por conta de qualquer juízo estético ou de valor, mas porque seria mais urgente e menos redundante abordar os LPs de cantoria, embolada ou ciranda lançados nos anos 1970, ou a discografia em 78 Rpm de pioneiros como João Pernambuco, os Turunas Pernambucanos, os Turunas da Mauricéia, do que a obra relativamente bem conhecida e divulgada da geração tropicalista e seus sucessores ou dos artistas do manguebit. E em meio a estes extremos, encontra-se uma enorme quantidade de obras pouco conhecidas do público mais jovem, como as primeiras gravações de compositores muito populares como Nelson Ferreira, Capiba e Dorival Caymmi.

Outro critério adotado foi pesar a importância histórica de determinada gravação e não apenas o seu valor estético. O juízo pessoal sobre o valor musical evidentemente contou na escolha de cada uma das obras apresentadas aqui, mas não foi o único fator e muitas vezes não foi definitivo. Dificilmente a avaliação de um pretenso valor histórico escapa à subjetividade de quem seleciona, assim como acontece numa escolha feita por critérios artísticos. E no campo das dificuldades, a mais incômoda foi a maior ou menor familiaridade que possuo com a cultura musical de cada um dos Estados do Nordeste: naturalmente essa ignorância iria levar à seleção um número maior de obras e artistas pernambucanos do que maranhenses, por exemplo. De qualquer maneira, essa série de artigos também é um esforço para diminuir estas distâncias e desconhecimentos dentro da própria região. Certamente eu não colocaria todas as faixas, discos e artistas que serão apresentados aqui na minha lista dos “preferidos da vida inteira”, mas certamente muitos deles estariam presentes, com louvor.

Esta pesquisa informal não teria a menor chance de existir sem as publicações (impressas ou na internet) e acervos de instituições como a Fundação Joaquim Nabuco, a Funarte, o Instituto Moreira Salles, a Discoteca Oneyda Alvarenga, o Instituto da Memória Musical Brasileira; sem o trabalho sério e apaixonado de colecionadores, estudiosos e especialistas como Miguel Ângelo de Azevedo (o Nirez), Gilberto Inácio Gonçalves, Sandor Buys, Marcelo Bonavides, Claudevan Melo, Bianca Maria Binazzi e Ronaldo Evangelista (criadores do projeto Goma Laca) e Marco Antônio Marcondes (editor da Enciclopédia Musical Brasileira); e também sem os importantes livros do professor e etnomusicólogo Carlos Sandroni, e dos jornalistas Lira Neto e José Ramos Tinhorão.

  1. ISTO É BOM (Xisto Bahia) – Bahiano, 1902
  2. PRETA MINA (Xisto Bahia) – Banda da Casa Edison, 1904
  3. AMENIDADE (Catulo da Paixão Cearense) – Bahiano, 1903
  4. ISTO É BOM (Xisto Bahia) – Eduardo das Neves, 1907
  5. SÓ ANGU (Ramos “Cotoco”) – Mário Pinheiro, 1908
  6. STELLA (Abdon Lira) – Banda da Casa Edison, 1908
  7. ESTELA (Abdon Lira / Aldemar Tavares) – Mário Pinheiro, 1909
  8. STELLA (Abdon Lira / Aldemar Tavares) – Mário Pinheiro, 1910
  9. PRETA MINA (Xisto Bahia) – Luiz de Oliveira, 1910
  10. MINEIRO PAU (sem indicação de autoria) – Artur Castro, 1910
  11. MULATA VAIDOSA (Xisto Bahia / Mello de Moraes Filho) – Mário Pinheiro, 1910
Xisto Bahia (1841-1894)
Bahiano (1870-1944)

1. ISTO É BOM – lundu
autor Xisto Bahia intérprete Bahiano
data de lançamento 1902 disco Zon-O-Phone nº 10.001

O primeiro disco lançado comercialmente no Brasil é um símbolo do entrelaçamento entre as culturas do Nordeste e do Sudeste do país. É o primeiro documento sonoro da contribuição dos nordestinos ao processo de construção do Brasil moderno – não só como mão de obra barata e faminta, mas como gente capaz de cultivar a criatividade entranhada nas  próprias mentes, corações, gargantas e quadris – com todas as virtudes e contradições possíveis.

Xisto Bahia – cantor, compositor e ator afamado, nascido em Salvador e viajado pelo país – não viveu para testemunhar a performance histórica do seu conterrâneo Manuel Pedro dos Santos, o “Bahiano”, nascido em Santo Amaro da Purificação e radicado no Rio de Janeiro. Provavelmente nem chegaram a se conhecer pessoalmente… mas a fluência exibida pelo cantor demonstra o quanto ele tinha intimidade com o espírito dos lundus, fossem estes saídos da cabeça do compositor famoso ou fossem uma das muitas criações sem autor identificado, que a esta altura já estavam disseminadas em grande parte do país.

Durante o período em que esteve vivo e em expansão, o lundu mostrou-se flexível ao ponto de frequentar os salões da elite – adaptando-se bem a partituras e pianos, como no caso da versão apresentada nesta primeira gravação – e ao mesmo tempo se espalhar pelas ruas e interiores do país – passando pela boca e pela mão de cantores, violonistas e violeiros nascidos nas camadas sociais menos abastadas. E, nesse processo, provavelmente influenciou o surgimento e a evolução de gêneros tão populares e longevos como o samba de roda baiano e os cocos de roda de Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Que outro gênero poderia representar uma escolha melhor do que esta para iniciar a história da gravação em discos no Brasil?

2. PRETA MINA – polca
intérprete Banda da Casa Edison
data de lançamento 1904 disco Odeon nº 10.048

Embora sem indicação de autoria, atualmente esta peça é amplamente reconhecida como um lundu composto por Xisto Bahia. Em 1904, um anos após a gravação original pelo cantor e violonista pernambucano Cadete, a Banda da Casa Edison, como de costume na época, registraria um arranjo instrumental, desta vez sob a denominação de polca. Este caso aponta, por um lado, para a flexibilidade nas classificações dos gêneros musicais brasileiros e, por outro, para a complexidade das trocas culturais e dos limites entre as diferentes camadas sociais da época. Talvez este seja mesmo um dos melhores exemplos das influências mútuas entre lundus e polcas, num processo que levaria à criação de gêneros como o maxixe e, posteriormente, o samba carioca.

Catulo da Paixão Cearense (1863-1946)

3. AMENIDADE – serenata
autor Catulo da Paixão Cearense intérprete Bahiano
data de lançamento 1903 disco Zon-O-Phone nº X-639

Catulo da Paixão Cearense – nascido em São Luís do Maranhão, criado durante parte da infância no sertão do Ceará e radicado aos 17 anos no Rio de Janeiro – foi um dos artistas mais influentes e controversos do início do século XX. Já na década de 1910 alcançou grande prestígio como poeta e letrista de modinhas, valsas e canções – principalmente pela adaptação dos seus versos às obras instrumentais dos compositores mais famosos da época – e chegou a ser considerado o maior responsável pela aceitação do violão nos salões da elite carioca.

“Amenidade”, além de ser sua primeira composição – provavelmente do início da década de 1880 – é também o primeiro registro fonográfico de sua obra. Por coincidência ou não, esta é uma das poucas canções de Catulo em que não há parceiros de composição, recebendo assim os créditos não apenas como letrista, mas também como único criador da parte musical. O estilo poético um tanto pomposo de “Amenidade” – aliada aqui a uma relativa simplicidade harmônica e melódica – irá contrastar com parte considerável da produção de Catulo a partir dos anos 1910, quando ele iria se abrir também para gêneros mais despojados como as toadas, cocos e emboladas tradicionais do Nordeste.

Executada com uma ligeira dificuldade técnica pelo grande cantor Bahiano, esta faixa talvez revele uma vocação do intérprete para canções mais leves, bem-humoradas e maliciosas, como fica evidente nos tantos lundus que gravou, e também em alguns dos primeiros sambas que viria a registrar nas décadas seguintes.

Eduardo das Neves (1874-1919)

4. ISTO É BOM – lundu
autor Xisto Bahia intérprete Eduardo das Neves
data de lançamento 1907 disco Odeon nº 108.076

O cantor, compositor, violonista, poeta e palhaço carioca Eduardo das Neves – conhecido desde a última década do século XIX como o Palhaço Negro – foi um dos primeiros (e raros) artistas negros a alcançar uma posição de destaque na nascente indústria fonográfica do Brasil. Um dos precursores do humor na música brasileira, tornou-se famoso antes mesmo de ser contratado como cantor pela Casa Edison em 1907, por conta de suas apresentações em circos, cafés e teatros do Rio de Janeiro, sucesso que o levou a excursionar também pelo Nordeste do país.

Esta talvez seja a versão definitiva do histórico lundu de Xisto Bahia, com o próprio Eduardo das Neves acompanhando-se ao violão e indo ainda mais fundo no espírito malicioso dos lundus do que na versão do cantor Bahiano, lançada cinco anos antes. A repetitiva linha grave do violão traz à tona o balanço próprio dos lundus cultivados pela tradição oral, nas serenatas e encontro dos chorões – assim como na gravação da “Preta Mina”, com voz e violão de Cadete – numa clara oposição ao estilo dos salões aristocráticos sugerido pelo arranjo do piano na gravação original.

Ramos “Cotoco” (1871-1916)
Mário Pinheiro (ca.1880-1923)

5. SÓ ANGU  – cançoneta
autor Ramos “Cotoco” intérprete Mário Pinheiro
data de lançamento 1908 disco Odeon nº 108.133

Uma das oito composições do poeta, compositor, pintor e boêmio cearense Ramos “Cotoco” gravadas pelo barítono fluminense Mário Pinheiro, a cançoneta “Só Angu” é uma das mais interessantes da série, inclusive por apresentar um acompanhamento inusitado de piano e ganzá (também presente em outras duas faixas).

Como uma espécie de canção de salão com alguma tendência teatral, às vezes meio cantada e meio falada, as composições de “Cotoco” eram crônicas bem-humoradas e maliciosas – frequentemente de duplo sentido – capazes de escandalizar a elite da capital Fortaleza. Curiosamente, Mário Pinheiro – um dos cantores mais admirados e requisitados da fase inicial da indústria fonográfica – era filho de uma enfermeira cearense e trabalhou como palhaço antes de ser contratado pela Casa Edison.

Abdon Lira (1887-1962)

6. STELLA – polca
autor Abdon Lira intérprete Banda da Casa Edison
data de lançamento 1908 disco Odeon nº 10.195

7. ESTELA – serenata
autor Abdon Lira – Adelmar Tavares intérprete Mário Pinheiro
data de lançamento 1909 disco Odeon nº 108.281

8. STELLA – canção
autor Abdon Lira – Adelmar Tavares intérprete Mário Pinheiro
data de lançamento 1910 disco Victor Record nº 98.730

Nascido em Itambé – pequena mas historicamente importante cidade na zona da mata norte de Pernambuco, no limite com a Paraíba – Abdon Lira assumiu aos 14 anos de idade a direção da banda de música local, a Banda Pedra Preta – a segunda mais antiga do Brasil, fundada em 1870 e ainda hoje em atividade. Em 1908, após concluir os estudos no Recife, migrou para o Rio de Janeiro, onde empregou-se como trombonista na orquestra do Teatro Municipal e chegou a professor do Instituto Nacional de Música (atual Escola de Música da UFRJ), para o qual compôs seu hino oficial.

Apesar de ter ficado conhecida como uma modinha, a primeira gravação de “Estela” é uma versão instrumental pela Banda da Casa Edison, curiosamente  é classificada como polca, num arranjo que a torna quase irreconhecível para quem a conheceu posteriormente. Como canção, “Estela” é uma modinha relativamente contida, se considerarmos o sentimentalismo e o rebuscamento tão comuns ao gênero, atendo-se a um recorte melódico e poético simples e  marcante já numa primeira audição. As duas versões cantadas são interpretadas solenemente por Mário Pinheiro. Na primeira gravação de Mário, o acompanhamento é feito ao piano, bem ao gosto dos salões da elite. Na segunda, realizada um ano depois, o próprio cantor executa o acompanhamento no violão, com um ar mais próximo das serenatas promovidas e frequentadas pelas camadas menos abastadas da população. A possibilidade de ouvir as três primeiras versões de “Estela” em sequência serve como uma ótima ilustração dos processos de trocas entres gêneros e ambientes  sociais muito diversos que estavam em curso entre o final do século XIX e o início do século XX – de maneira similar ao que foi observado sobre as versões dos lundus “Preta Mina” e “Isto é Bom”.

A composição de Abdon Lira alcançou bastante popularidade desde o seu lançamento, tendo sido regravada pelo menos nove vezes, por cantores como Eduardo das Neves (em 1912), Artur Costa (duas vezes, em 1911 e 1913), Stefana de Macedo (que a registrou como uma canção de motivo popular, sem indicação de autoria, em 1929) e Paraguassu (em 1945).

Artur Castro (ca.1880-ca.1930)

9. MINEIRO PAU – samba
autor sem indicação intérprete Artur Castro
data de lançamento 1910 disco Columbia nº 11.591

Muito conhecido no Nordeste, o coco “Mineiro Pau” talvez seja o primeiro de seu gênero a entrar para a história da gravação no Brasil. Embora a “Discografia Brasileira em 78 Rpm” não cite este fonograma, o Instituto Moreira Salles disponibiliza para audição na internet uma cópia (bastante deteriorada) da gravação e na ficha técnica do arquivo indica o gênero como samba. Se esta informação estiver correta, este talvez seja um dos usos mais antigos deste termo pela indústria fonográfica brasileira.

O “Mineiro Pau” teve sua melodia e versos transcritos no “Ensaio Sobre a Música Brasileira” publicado por Mário de Andrade em 1928, e foi gravado pela Missão de Pesquisas Folclóricas de 1938 nas cidades  de Itabaiana e Pombal, na Paraíba.

A interpretação coube ao cantor baiano Artur Castro, com acompanhamento de piano e coro. Em 1913, junto com outro baiano pioneiro, o violonista e compositor Josué de Barros, Artur Costa apresentou-se com sucesso em Lisboa. De lá seguiram para Berlim, onde tornaram-se os primeiros brasileiros a gravar no exterior, numa quantidade surpreendente de 140 discos.

10. PRETA MINA – tango
intérprete Luiz de Oliveira
data de lançamento 1910 disco Victor nº 98.799

Eu tenho uma namorada
Que é mesmo uma papafina
Lá na praça do mercado
Dizem logo: é preta Mina.

Laranjas, bananas
Maçãs, cambucás
Eu tenho de graça
Que a preta me dá

Em noites de frio
Que ela mais gosta
Estende por cima
Seu pano da costa

Mas quando ela ao longe me vê
Grita logo: Acugelê!
Vem cá, dengoso, vem cá
Diz-me no ouvido: Acubabá!
Acugelé, acubabá…

Embora sem créditos de autoria desde a primeira gravação lançada em 1903, e apesar de rotulado nesta versão lançada em 1910 como tango (segundo a Base de Dados da Fundação Joaquim Nabuco) ou como samba (segundo informações do Instituto Moreira Salles), este é claramente um dos mais famosos lundus compostos por Xisto Bahia.

O tema do homem fisgado pela sensualidade de uma mulher negra, quitandeira vestida com panos da costa, antecipa alguns dos pontos mais característicos da obra do também baiano Dorival Caymmi. Como se essa influência não fosse o bastante, os versos inicias do refrão foram reutilizados no samba “Na Feira do Cais Dourado”, lançado com algum sucesso em 1945 pela cantora paulista Elvira Pagã.

Não obtive maiores informações sobre o intérprete, o cantor e violonista Luiz de Oliveira – cuja linha de violão nesta gravação chama imediatamente a atenção pelo clima um tanto sombrio. Seria ele o mesmo Luiz de Oliveira – às vezes grafado com ‘s’ e também conhecido como Luiz Pinto – que fez parte da primeira formação dos Oito Batutas, tocando bandola e reco-reco, e que veio a falecer logo após a estreia do grupo em 1919?

Mello de Moraes Filho (1843-1919)

11. MULATA VAIDOSA – tango
autor Xisto Bahia – Mello de Moraes Filho intérprete Mário Pinheiro
data de lançamento 1910 disco Victor Record nº 98.971

Eu sou mulata vaidosa
Linda, faceira e mimosa
Linda, faceira e mimosa
Quais muitas brancas não são

Tenho os requebros mais belos
A noite são meus cabelos
A noite são meus cabelos
O dia é meu coração

Sob a camisa bordada
Fina, tão alva, rendada
Fina, tão alva, rendada
Me treme o seio moreno

É como jambo cheiroso
Que pende ao galho frondoso
Que pende ao galho frondoso
Coberto pelo sereno

Nos bicos da chinelinha
Quem voa mais levezinha
Quem voa mais levezinha
Mais levezinha que eu?

Eu sou mulata tafula
No samba rompendo a chula
No samba rompendo a chula
Jamais ninguém me esqueceu

Ao afinar da viola
Quando estalo a castanhola
Quando estalo a castanhola
Ferve a dança e o desafio

Peneiro num mole anseio
Vou mansa num bamboleio
Vou mansa num bamboleio
Qual vai a garça no rio

Para uma composição da segunda metade do século XIX, são realmente surpreendentes os versos deste lundu – escritos pelo poeta e importante folclorista baiano Mello de Moraes Filho e musicados pelo seu contemporâneo Xisto Bahia. O retrato de uma mulher mestiça orgulhosa do seu corpo, de sua cor, do seu cabelo, da sua sensualidade e habilidade como dançarina, hoje nos parece estar décadas a frente do seu tempo, pelo menos no âmbito da música popular. Basta lembrar o caráter controverso de sucessos como a marcha “O Teu Cabelo Não Nega, Mulata”, nos anos 1930, e do samba “Nega Maluca”, já em 1950.

Outro ponto marcante da letra é a citação ao samba, à chula e à viola, numa sugestão de proximidade cultural, não só dos autores, mas do próprio gênero lundu com a forma musical e coreográfica que viria a ser conhecido pouco depois como o samba de roda, samba-chula ou samba de viola cultivado no Recôncavo Baiano.

Apesar de rotulada como tango (termo muito utilizado por compositores como Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga, antes da consolidação do termo choro), esta composição tem muitas características rítmicas e melódicas de um lundu. A versão selecionada aqui é a terceira gravação – tendo sido lançada anteriormente pelos cantores Bahiano e Cadete,  em 1902 e 1909 – e apresenta o cantor e violonista Mário Pinheiro numa performance vibrante e fluente, mais solta e leve do que a empregada no registro da modinha “Estela”.

  1. LUNDU DO NORTE (sem indicação de autoria) – Bahiano, 1912
  2. A VIOLA ESTÁ MAGOADA (Catulo da Paixão Cearense) – Bahiano, Júlia Martins e o Grupo da Casa Edison, 1913
  3. CABOCLA DE CAXANGÁ (João Pernambuco / Catulo da Paixão Cearense) – Eduardo das Neves, com Bahiano, Júlia Martins e Grupo da Casa Edison, 1913
  4. CABOCLA DE CAXANGÁ (João Pernambuco / Catulo da Paixão Cearense) – Grupo O Passos no Choro, 1914
  5. LUAR NO SERTÃO (João Pernambuco / Catulo da Paixão Cearense) – Eduardo das Neves e coro, 1914
  6. YÁ YÁ ME DIGA (Raul Morais) – Geraldo Magalhães, 1913
  7. OS QUE SOFREM (Alfredo Gama / Armando de Oliveira) – Vicente Celestino, 1916
  8. O MEU BOI MORREU (sem indicação de autoria) – Bahiano, Eduardo das Neves e coro, 1916
  9. O MEU BOI MORREU (sem indicação de autoria) – Grupo Odeon, 1916
  10. O CUMBUCO E O BALAIO (sem indicação de autoria) – Abigail Maia e coro, 1916
  11. CAPIM MAIS MIMOSO (sem indicação de autoria) – Vicente Celestino e coro, 1917
  12. OS PEIXINHOS DO MÁ (sem indicação de autoria) – Bahiano com coro e orquestra, 1917
  13. URUBU SUBIU (sem indicação de autoria) – Bahiano, com Vicente Celestino, coro e orquestra, 1917
  14. VALSA DA SAUDADE (Alfredo Gama) – Artur Castro, 1918

1. LUNDU DO NORTE – lundu
intérprete Bahiano
data de lançamento 1912 disco Odeon nº 108.539

Interpretado com maestria pelo cantor e violonista Bahiano, este lundu antológico tem sua origem relacionada a uma das mais antigas tradições culturais Nordeste, como o próprio título sugere. Os versos e a estrutura das estrofes são os mesmos de um dos cantos tradicionais das Taieiras de Sergipe, antigos cortejos realizados em louvor à Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito.

Seis das suas oito estrofes já haviam sido registradas pelo folclorista sergipano Sílvio Romero no livro Estudos Sobre a Poesia Popular do Brasil (publicado em 1888) e pelo baiano Mello de Moraes Filho, parceiro de Xisto Bahia, no seu Festas e Tradições Populares do Brasil (de 1895). Em 1928, Mário de Andrade inclui no seu Ensaio da Música Brasileira uma melodia das Taieiras acompanhada de duas das estrofes cantadas pelo Bahiano, e informa ter sido recolhida no Estado de São Paulo.

Em 1976, a Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro do MEC/Funarte publicou um caderno e um compacto de vinil com textos, fotos e gravações do grupo de Taieiras da cidade de Laranjeiras (SE) e novamente os versos cantados pelo Bahiano foram registrados. Estes mesmos versos foram gravados pelas cantoras e folcloristas Olga Praguer Coelho (sob o título “Virgem do Rosário”, em 1938) e Inezita Barroso (como “Taieiras”, em 1954), desta vez com melodias diferentes da cantada pelo Bahiano.

2. A VIOLA ESTÁ MAGOADA – samba
autor Catulo da Paixão Cearense intérpretes Bahiano, Júlia Martins e o Grupo da Casa Edison
data de lançamento 1913 disco Odeon nº 120.445

Este é um dos primeiros registros do termo samba num fonograma brasileiro, quatro anos antes da gravação de “Pelo Telefone”. O termo obviamente não remetia àquilo que passou a ser entendido como samba carioca, a partir dos anos 1930, e nem mesmo à forma cultivada por compositores como Donga e Sinhô entre 1917 e o final dos anos 1920, ainda com elementos característicos do maxixe. A palavra samba já era utilizada desde as últimas décadas do século XIX, pelo menos em boa parte do Nordeste e do Sudeste, para designar coisas muito diferentes. Tanto poderia indicar festas – de rua, de terreiro ou de quintal – nas quais eram tocados gêneros diversos (assim como acontece com o forró), como poderia referir-se a gêneros específicos com poucos pontos de contato entre si (de forma semelhante ao que se observa atualmente nos casos do samba de roda do recôncavo baiano, do samba de coco do agreste e sertão pernambucanos, ou do samba em dez dos maracatus de baque solto, na zona da mata norte de Pernambuco). Coincidência ou não, a faixa tem alguns traços melódicos de toada nordestina (soando não muito distante de peças de antigos reisados e bois), e uma estrutura similar a muitos cocos de roda (pela alternância entre as quadras cantadas pelo solista e o refrão entoado pelo coro).

Há evidências históricas de que Catulo não se sentia constrangido em acrescentar seus versos à melodias tradicionais e, em seguida, registrar formalmente não apenas a autoria das letras em seu próprio nome, mas também toda a parte musical. Esta era uma prática bastante comum nas primeiras décadas do século XX, tanto porque o conceito de direito autoral ainda não estava consolidado na cultura musical das camadas mais populares, como porque os processos de produção e difusão musical estavam sendo radicalmente alterados com o surgimento da indústria fonográfica. Embora não haja elementos suficientes para afirmar que Catulo não tenha composto a melodia deste samba em particular, por outro lado não seria exagero levantar a possibilidade desta ser uma peça tradicional (ou pelo menos uma adaptação feita pelo próprio Catulo, ou por algum outro músico), como veremos nos casos das duas gravações comentadas a seguir.

O Grupo de Caxangá na década de 1910. João Pernambuco (1883-1947) é o segundo da esquerda para a direita, sentado com uma viola de 12 cordas na mão e com o apelido “Guajurema” escrito na aba do chapéu.

3. CABOCLA DE CAXANGÁ – batuque sertanejo
autor Catulo da Paixão Cearense – João Pernambuco intérprete Eduardo das Neves, com Bahiano, Júlia Martins e Grupo da Casa Edison
data de lançamento 1913 disco Odeon nº 120.521

4. CABOCLA DE CAXANGÁ
autor Catulo da Paixão Cearense – João Pernambuco intérprete Grupo O Passos no Choro
data de lançamento 1914 disco Odeon nº 120.954

5. LUAR DO SERTÃO – toada sertaneja
autor Catulo da Paixão Cearense – João Pernambuco intérprete Eduardo das Neves e coro
data de lançamento fevereiro 1914 disco Odeon nº 120.911 e nº 120.912

As primeiras gravações dos clássicos “Cabocla de Caxangá” e “Luar do Sertão, na voz dos dois cantores mais famosos da época – Eduardo das Neves e Bahiano – marcariam a entrada em cena, ainda que sem o devido reconhecimento, de um dos músicos nordestinos mais criativos e influentes do século XX, o compositor e violonista João Pernambuco.

Nascido em Jatobá, no sertão de Pernambuco, morou no Recife durante a adolescência. Nunca foi alfabetizado e aprendeu a tocar a partir do convívio com os cantadores e violeiros que costumavam se apresentar no Pátio de São Pedro, no centro da capital pernambucana. Em 1904, aos 20 anos de idade, mudou-se para o Rio de Janeiro e iniciou uma amizade duradoura com muitos músicos e boêmios locais,  participando regularmente das serenatas e rodas dos chorões. A habilidade e originalidade com que manejava o violão e a beleza do repertório que apresentava, fortemente ligado aos gêneros tradicionais do Nordeste, fizeram dele um artista muito admirado por seus colegas.

No início da década de 1910, tornou-se amigo dos jovens Pixinguinha, Donga e Patrício Teixeira, e do já famoso Catulo da Paixão Cearense, parceiros fundamentais no seu amadurecimento artístico e no seu estabelecimento como músico profissional. No caso de Catulo, a relação acabou se revelando bastante conflituosa, justamente a partir do registro destas duas canções unicamente em seu nome. Muitos anos depois, este caso ainda gerava grande polêmica, com figuras como Almirante e Villa-Lobos pronunciando-se em defesa de João Pernambuco, que acabou sendo amplamente reconhecido como parceiro nas duas obras. Na verdade, é possível que as duas canções sejam adaptações de João Pernambuco para melodias tradicionais que conhecera ainda durante sua adolescência, o que acabaria por gerar outra polêmica (nunca resolvida) sobre a origem destas obras.

“Cabocla de Caxangá” foi tão bem recebida pelo público que transformou-se no maior sucesso do carnaval carioca de 1914, praticamente ao mesmo tempo em que foi lançada a gravação de “Luar do Sertão” – toada que iria se transformar numa das canções brasileiras mais populares de todos os tempos. Um dos motivos da popularidade de “Cabocla de Caxangá” consiste no fato desta ser a primeira embolada (apesar do registro inicial como batuque sertanejo) a chegar aos ouvidos do público carioca. Era certamente uma grande novidade, mas a canção também tinha o mérito da beleza imediatamente reconhecível da sua melodia, especialmente na simplicidade do refrão cantado pelo coro.

Motivado pela boa receptividade dos cariocas à canção, Pernambuco decidiu batizar como Grupo de Caxangá o conjunto de músicos amigos com quem apresentava nas ruas do Rio de Janeiro um repertório composto principalmente dos sons tradicionais do Nordeste, com um figurino composto de sandálias de couro, lenço no pescoço e chapéu de palha de abas largas, em que cada integrante escrevia o próprio apelido. Músicos como Pixinguinha e o sambista Caninha viriam a fazer parte do grupo, fato que certamente influenciaria o surgimento, o repertório e o visual da primeira formação dos célebres Oito Batutas – do qual o próprio João Pernambuco se tornaria integrante, em 1919.

Embora seja uma história não totalmente esclarecida, consta na biografia lançada pela Funarte em 1982, que João Pernambuco teria – a pedido do poderoso dirigente esportivo Arnaldo Guinle – viajado pelo menos duas vezes ao Nordeste, em 1913 e 1919, ao lado de Pixinguinha e Donga, para colher a música tradicional da região. Caso confirmado, este episódio certamente pode lançar luz sobre o crescente número de canções nordestinas aproveitas pela indústria do entretenimento do Rio de Janeiro a partir da primeira metade dos anos 1910.

Daí em diante, João Pernambuco (e obviamente, Catulo) iriam transformar-se nas maiores referências daquilo que passou a ser chamado de música sertaneja, contribuindo para o surgimento do primeiro hype em torno da música nordestina, no Sudeste do país.

Raul Morais (1891-1937)
Geraldo Magalhães (1878-1870) no duo Os Geraldos

6. YA YÁ ME DIGA – samba carnavalesco
autor Raul Morais intérprete Geraldo Magalhães
data de lançamento 1915 disco Gaúcho nº 4.040

Raul Morais foi um dos pioneiros na composição de marchas carnavalescas para os blocos líricos do Recife (mais tarde denominados frevos de bloco). Ele surge aqui como o autor de um samba gravado pelo cantor gaúcho Geraldo Magalhães, assim como Eduardo das Neves, um dos raros negros a obter sucesso na nascente indústria fonográfica brasileira.

Apesar de nomeada como samba (o que poderia ter um significado genérico de festa popular, como já apontado acima), “Yá Yá Me Diga” é, na verdade, uma precursora dos frevos de bloco recifenses. E este parentesco não é perceptível apenas no contorno e no espírito da melodia vocal, mas também no marcante fraseado instrumental que intercala as estrofes.

 

 

Alfredo Gama (1867-1932)
Vicente Celestino (1894-1968)

7. OS QUE SOFREM – valsa
autor Alfredo Gama – Armando de Oliveira intérprete Vicente Celestino
data de lançamento 1916 disco Odeon nº 121.053

A segunda música gravada na carreira do jovem cantor carioca Vicente Celestino foi esta composição do recifense Alfredo Gama, parte de uma série de valsas com títulos dedicados aos “que amam”, “que partem”, “que ficam”, “que imploram”, “que sonham”. Assim como a modinha “Estela”, do também pernambucano Abdon Lira, esta valsa equilibra seu sentimentalismo com uma relativa sobriedade e contenção melódica.

Alfredo Gama foi muito admirado pela elite pernambucana como pianista e compositor da chamada música “ligeira”, uma espécie de música popular com algum refinamento erudito. No romance “Usina”, o escritor José Lins do Rego chegou a citá-lo – ao lado do também pernambucano Raul Morais – como uma referência musical importante para as decadentes famílias dos latifundiários da cana-de-açúcar.

Abigail Maia (1887-1981)

8. O MEU BOI MORREU – cantiga nortista
intérprete Bahiano, Eduardo das Neves e coro
data de lançamento 1916 disco Odeon nº 121.054

9. O MEU BOI MORREU – toada sertaneja
intérprete Grupo Odeon
data de lançamento 1916 disco Odeon nº 121.128

10. O CUMBUCO E O BALAIO – coco baiano
intérprete Abigail Maia e coro
data de lançamento 1916 disco Odeon nº 121.172

Como anunciando no início do fonograma  “O Meu Boi Morreu” (gravado pela dupla Baiano e Eduardo das Neves), esta toada tradicional dos bumba-meu-bois do Nordeste fazia parte do repertório da atriz e cantora Abigail Maia.  Já “O Cumbuco e o Balaio” – talvez o primeiro registro do gênero coco numa gravação comercial – é interpretado pela própria Abgail Maia. Parece evidente que inclusão desta toada e do coco baiano em espetáculos teatrais e gravações comerciais, assim como o registro fonográfico das três faixas comentadas a seguir, sejam um reflexo direto do sucesso obtido por Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco com o lançamento de “Cabocla de Caxangá” e “Luar do Sertão”, dois anos antes. Possivelmente estes seriam alguns dos resultados concretos da presença e influência, no centro da boêmia carioca, de dois dos maiores responsáveis pelo ingresso deste repertório tradicional na indústria fonográfica.

11. CAPIM MAIS MIMOSO – canção sertaneja
autor desconhecido intérprete Vicente Celestino e coro
lançamento 1917 disco Odeon nº 121.316

12. OS PEIXINHOS DO MÁ – canção sertaneja
intérprete Bahiano com coro e orquestra
lançamento 1917 disco Odeon nº 121. 317

13. URUBU SUBIU – desafio sertanejo
autor desconhecido intérprete Bahiano, com Vicente Celestino, coro e orquestra
data de lançamento 1917 disco Odeon nº 121.318

Certamente, a imensa maioria dos leitores desta coluna se surpreenderá ao descobrir que uma das primeiras gravações de Vicente Celestino – figura que viria mais tarde a ser conhecido como “a voz orgulho do Brasil” e como símbolo máximo do cantor sentimental – tenha sido justamente como intérprete do conhecidíssimo coco “Capim da Lagoa”, peça tradicional do Nordeste que, aqui adaptada como “Capim Mais Mimoso” e rotulada como canção sertaneja.

Embora não me pareça possível comprovar que “Os Peixinhos do Má” tem sua origem na tradição musical do Nordeste, ainda assim esta peça soa perfeitamente familiar a um ouvinte atento e já iniciado no universo cultural da região. E este sabor de canção nordestina fica muito mais evidente na gravação original do cantor Bahiano do que nas inúmeras versões posteriores, como as de Inezita Barroso e Milton Nascimento, mais próximas das sonoridades do interior de Minas Gerais e São Paulo. Curiosamente, Bahiano anuncia a faixa como um samba, logo no início do fonograma, e volta a se utilizar do termo em algumas estrofes (“tava dormindo, meu bem me chamou, me chamou pra ir pro samba”).  Também vale ressaltar que estas estrofes são trechos pouco conhecidos atualmente, e que a abordagem do refrão pelo solista e pelo coro é mais sincopada do que as versões que costumam ser ouvidas atualmente.

Segundo pesquisa da escritora e historiadora norte-americana Daniella Thompson, a gravação de “Urubu Subiu”, utilizado pelo compositor francês Darius Milhaud como fonte para a composição do balé “Le Boeuf sur le Toit”, contém versos de 04 Estados brasileiros (Minas Gerais, São Paulo, Ceará e Piauí). Os versos com origem atribuída à região Nordeste são especificamente o sétimo e o oitavo, o que já justificaria a citação da faixa nesta discografia, E apesar da questão da origem especificamente musical ainda estar em aberto, o caso é bem semelhante ao do “Peixinhos do Má”: não seria surpresa encontrar o “Urubu Subiu” entoado em algum brinquedo do interior do Nordeste, tendo em vista as evidentes proximidades da sua melodia com tantas toadas tradicionais da região.

14. VALSA DA SAUDADE – valsa
autor Alfredo Gama intérprete Artur Castro
lançamento 1918 disco Phoenix nº 307

A valsa mais famosa de Alfredo Gama possui uma melodia mais ampla e elaborada do que a de outras obras suas, arriscando-se a enveredar pelo excesso dramático. Ainda assim, não chega a comprometer o que parece ser uma marca de alguns dos compositores nordestinos que se dedicaram à composição de modinhas, canções e valsas sentimentais: um ar mais melancólico do que trágico, sutilmente misterioso e relativamente contido, como se o gosto pelo equilíbrio formal, puramente musical, desse a última palavra no momento da criação.

A gravação original desta valsa, com acompanhamento de piano, violino e bandolim, coube ao cantor baiano Artur Castro, o mesmo que interpretou pela primeira vez em disco o coco “Mineiro Pau”.

FONTES
Acervo de Música do Instituto Moreira Salles (IMS)
Base de Dados da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ)
Acervo de 78 Rpm da Discoteca Oneyda Alvarenga – Centro Cultural São Paulo (CCSP)
Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB)
Arquivo Nirez – Projeto Disco de Cera
Goma-Laca
Musica Brasiliensis
Coleção Sandor Buys
Coleção Gilberto Inácio Gonçalves
Enciclopédia da Música Brasileira: erudita, folclórica, popular.
Art Editora Ltda, 1977.
João Pernambuco: Arte de um Povo.
José de Souza Leal e Artur Luiz Barbosa, Funarte, 1982.
Ensaio Sobre a Música Brasileira (3ª edição), Mário de Andrade, Livraria Martins Editora / Instituto Nacional do Livro, 1972.
A Música Popular no Romance Brasileiro, Vol. II: Século XX (1ª parte), José Ramos Tinhorão, Editora 34, 2000.
Feitiço Decente: Transformações do samba no Rio de Janeiro (1917-1933), Carlos Sandroni, Jorge Zahar Editora / Editora UFRJ, 2001.
Uma História do Samba: as origens, Lira Neto, Companhia das Letras, 2017.
Foto de capa: “Grupo do Caxangá” em 1914. Da esquerda para a direita, com chapéu de pala, a frente: Jacob Palmiéri e Vidraça; atrás: China, João Pernambuco, Raul Palmiéri, Caninha, Pixinguinha e Nola [Almirante, No Tempo de Noel Rosa]. In: <http://www.joaopernambuco.com/05/05_2.html>

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Caçapa Por:

Compositor, arranjador, produtor musical e violeiro nascido no Recife (PE) em 1975, e radicado em São Paulo (SP) desde janeiro de 2014. Cursou Licenciatura em Música na Universidade Federal de Pernambuco, entre 1997 e 2001. Durante a gradução (incompleta), participou da fundação do Núcleo de Etnomusicologia da UFPE e da Associação Respeita Januário – Pesquisa e valorização dos cantos e músicas tradicionais do Nordeste. Escreveu artigos para as revistas Sounds and Colours Magazine (Inglaterra), Outros Críticos (PE), +Soma (SP), e para o lançamento do disco “Thiago França”, do Passo Torto e Ná Ozzetti. Atualmente desenvolve o projeto "O Coco-Rojão e as Violas Eletrodinâmicas: Pesquisa e Criação" aprovado no edital Rumos Itaú Cultural 2015-2016.

4 Comentários

  1. Thaïs
    22 de abril de 2017
    Responder

    Aguardo as próximas publicações.

  2. Kuiumean Marta Alves
    22 de abril de 2017
    Responder

    Parabéns pelo trabalho de fôlego aqui exposto. Sou apenas uma nordestina há anos em São Paulo, curiosa sobre a cultura do Nordeste, que conheci pouco enquanto lá estive, claro, mais pelas condições de vida, que por desinteresse. Obrigado!

  3. alex abrantes
    23 de abril de 2017
    Responder

    Muito bom esse acervo ser disponibilizado para que todos possam ter acesso a esse vasto material . Excelente iniciativa

  4. Alisson Gomes Callado
    27 de abril de 2017
    Responder

    ótimo resgate! Poderia deixar disponibilizado as canções para download e publicado as letras da canções, mas tá valendo. Show de bola.

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