Dorinha, meu amor – alguém que virá

O espetáculo “Dorinha, Meu Amor – um musical de humor e drama para teatros e cabarés” está em cartaz no Teatro Arraial Ariano Suassuna durante as quintas-feiras de outubro, mas já com ingressos esgotados. Estão em cena a cantora, compositora e atriz Isadora Melo, Juliano Holanda (Guitarra) e Rafael Marques (Bandolim). O espetáculo é uma criação de João Falcão, com direção musical de João, Juliano e Rafael.

  1. dorinha, meu amor é formado por um sutil entrelaçamento de véus.
  2. quando as cortinas se abrem – como ato mágico que revela mundos no mundo – um primeiro ato se desvela:
  3. a cantora isadora melo está em transformação. sua voz são vozes.
  4. o corpo máquina poética instaura um transe: entre o canto de isadora e o re-canto da personagem dorinha.
  5. a força narrativa das canções e de um corpo que performa o amor da mulher de olhos vivos, diante de nós, nos coloca também em transe:
  6. quem é essa mulher?
  7. assim como os véus, as máscaras da artista que balança os braços, encara o público, dança, sua, grita, explode e chora e ri, vemos como a canção popular brasileira está o tempo todo em conexão, se sobrepondo, friccionando suas formas rítmicas e melódicas,
  8. sobretudo se atentarmos nessas sobreposições uma ideia de paródia, presente no canto que se desloca constantemente entre a homenagem e a invenção.
  9. as canções fragmentadas como narrativas de uma mulher e suas dores e amores é o que há de mais inventivo, por fazer do intenso agora um campo aberto para que o tempo também seja deslocamento, de uma canção não cronológica, não evolutiva –
  10. uma canção dos anos 40 pode ser tão contemporânea quanto uma composta no ano de 2017.
  11. os músicos juliano e rafael são vozes como espelhos, com quem dorinha dialoga internamente, nas músicas que são suas histórias – eles são um móbile afeto rádio vinil frequências AM e FM sons da carrocinha por onde circula o brega, suas versões paródicas de canções pop – eles são a música que toca dentro de dorinha, o que ela põe pra fora com seu amor pela canção e pela vida.
  12. musical de um tempo que se espalha; com seus veios, suas vozes; a palavra é a própria canção; o palco é um corpo que se abala – uma canção de alguém que virá.

Foto: Flora Negri

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Escritor, pesquisador e crítico. É editor e curador dos projetos do Outros Críticos, mestre em Comunicação pela UFPE, com estudo comparado do tropicalismo e manguebeat, e autor do livro de contos "corto por um atalho em terras estrangeiras" (2012) e dos livros de poesia "êxodo," (CEPE, 2016) e "canto primeiro (ou desterrados)" (2016).

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