Desbunde Coletânea & Festival

 

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O festival A Noite do Desbunde Elétrico é realizado anualmente em Recife desde 2007. Artistas mais novos da música Pernambucana já dividiram o palco com músicos como Lula Côrtes e Almir de Oliveira (Ave Sangria) em edições anteriores. A partir de 2011, o festival tem lançado uma coletânea virtual com bandas e músicos convidados a tocar no Desbunde.

A coletânea de 2013 já está no ar e conta somente com músicas de artistas solo. Resolvemos destacar algumas faixas e pedir para os músicos escreverem um pequeno depoimento sobre elas. O resultado vocês podem conferir no final do texto.

A edição desse ano do festival ocorrerá em maio, ainda sem local definido. Segundo Juvenil Silva, curador e produtor dessa edição, o Desbunde terá quatro músicos que estão na Coletânea mais a cantora Aninha Martins, primeiro nome divulgado da programação. Ela é conhecida por cantar na Sabiá Sensível e nas bandas de D mingus (a Kazoo Fantástica Orquestra) e na de Matheus Mota (o Grupo Varal). O repertório e formação da banda de Aninha será parecido com o que ela apresentou no Recife lo-fi, com músicas inéditas de sua autoria e de parceiros, ao todo 12 músicas. A cantora pretende gravar ainda nesse ano o seu 1º disco. Por enquanto, ela se prepara para estrear na nova temporada da peça Caxuxa, com previsão de início para abril. Abaixo, um música em que Aninha divide o vocal com D mingus.

02. Édipo by D MinGus

Diferentemente dos demais festivais de música, o Desbunde Elétrico é organizado pelos próprios músicos, que se dividem para cuidar de todas as etapas da produção. Fica evidente que movimentações como essa são importantes para fomentar o trabalho das bandas e demais envolvidos, no entanto, é um tremendo desperdício que um grupo tão grande e diverso de músicos e bandas não tenham força para realizar o festival mensalmente. A cada audição da coletânea de 2013 fica cada vez mais evidente a necessidade de mais edições do festival.

A seguir, as canções e os depoimentos que comprovam ou desmentem a nossa opinião.

por Carlos Gomes.

 

“A inspiração pra essa música foi um bicho de estimação muito querido. Na época da música (acho que foi feita em 2009) ela tinha seus 13 anos, estava meio cega, meio surda, e sem senso de direção nenhum, rodava o tempo inteiro atrás do próprio rabo. Roubou por várias vezes a morte do rato tomando seu veneno, diziam que tinha mais vidas que um gato. Éramos bem apegados a ela. A música foi gravada no meu quarto, tudo bem simples, naquele estilo egocêntrico, baixo, guitarra, voz e bateria eletrônica.” – Hugo Coutinho

2. Hugo Coutinho – Casinha by Desbunde Elétrico 2013

“Essa musica eu fiz num dia que eu faltei trabalho por causa da tristeza do trânsito, aí fiz essa reflexao: “pra que tantos carros se tá tudo parado?” “Metal, pra que tanto metal?”. “metal” como grana e “metal” dos carros, “pra tão pouca gente”, e tudo continua parado, servindo a que interesses? Além da vontade que dá do cara sair quebrando tudo, mas deve se acalmar para não ser quebrado. Publiquei ela no soundcloud, mas ela não faz parte de nenhum álbum. Gravei em casa, sozinho. Na verdade, sempre gravei sozinho e nunca lancei álbum, tenho períodos em que eu vou gravando e publicando atá sentir que o ciclo fechou. Estes Períodos equivalem a álbuns, a diferença e que ao invés de juntar tudo e lançar  de uma vez (álbum), vou publicando a medida que vou gravando (períodos). Só que a galera não entende essa linguagem, por isso estou produzindo algumas músicas, vou juntá-las e lançar este ano como álbum. Ele se chamará “Mordida cruzada”. Meu primeiro período se chamou “Contradaptação e Mediocridade”, durou de 2002 a 2006. O segundo foi “Entre a terra e o céu”, durou de 2009 ate 2011.” – Jalu Maranhão

9. Jalu Maranhão – O grito quebra calma carros e metal by Desbunde Elétrico 2013

“Essa música foi feita em meados de 2011, em meio a uma atmosfera pessoal conturbada e com um emprego bastante desagradável. No entanto, passava todos os dias pela praia e aquela visão leve me deixava pra tirar onda de mim mesmo. Contei o fato a um amigo, que sugeriu um trocadilho parecido com o título que ficou. Fiz uma letra, antes de tudo. Na época, eu estava animado com uma base de violão que o amigo músico e ilustrador do Superterra, Caramurú Baumgartner tinha feito e estava inacabada. Falei que iria usar numa música e ele liberou. Acabei aproveitando as ideias melódicas dele, re-harmonizei e construí novas rítmicas, e essa ficou sendo a primeira música em parceria que fiz na vida (a segunda foi “Cabeça”, composta meses depois em São Paulo, com um amigo ajudando na letra).” – Matheus Mota

14. Matheus Mota – Espirro da brisa by Desbunde Elétrico 2013

“Bueiragem inicia uma nova fase depois de dois anos sem lançar nada. Surgiu como uma canção acústica e depois foi se transformando nesse frankeinstein chapado. O próprio desenvolvimento da canção revela isso, começa só com violão, depois entra um baixo funkeado e então vem a batida de rap e por fim a guitarreira hard setentista. As opiniões sobre ela são as mais diferentes e isso é que é legal: um cara diz que parece Happy Mondays, outra pessoa  diz que lembra De Falla, outro diz que é rap, outro que é repente e por aí vai. A letra narra basicamente um fim de semana típico em São Paulo (o que acaba rendendo mais história do que o normal) e o refrão pode ser cantado por qualquer pessoa que queira chutar o balde.” – Jean Nicholas

4. Jean Nicholas – Bueiragem by Desbunde Elétrico 2013

“Molho foi a última música que eu compus do disco. Eu pretendo lançar em Abril, dia da mentira, vocês só vão saber se é verdade mesmo no dia. O título já existia, a música veio depois. A origem do nome veio de um ruído de “graxa”. Tem um bar das quebradas aqui do Jiquiá, que a dona do lugar, em vez de me chamar de Graxa, me chamava de Molho. Achei um maior barato. Quase um insight alheio, compartilhado e aceito, ou uma sugestão inconsciente, vinda de outra cabeça. Ela fica no meio do disco, que tem treze músicas. “Molho” é quem divide os fictícios lados “A” e “B” desse, que eu considero, meu primeiro disco”  – Graxa

1. Graxa – Molho by Desbunde Elétrico 2013

“A música perigo no lixo surgiu depois de uma tentativa de divulgação de shows da banda por email. Percebi que todos os emails enviados estavam indo para a lixeira dos destinatários. Comecei a sentir que estávamos entrando na vida das pessoas através do lixo, e não da porta. Achei interessante esta situação e comecei a fazer a música que usou desta parábola real para falar de algo mais espiritual, de um mal que mora em todos os detalhes.” – Glauco César II

17. Glauco e o Trem – Perigo no Lixo by Desbunde Elétrico 2013

Foto de capa: Divulgação. Capa da coletânea por Paulo do Amparo.

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Desde 2008 atuam desenvolvendo projetos de crítica cultural na internet e em Pernambuco. Produziram livros e publicações, como a revista Outros Críticos, além de coletâneas musicais e debates, como os do festival Outros Críticos Convidam.

3 Comentários

  1. 26 de março de 2013
    Responder

    ih, mingus, gafe grave a minha… é que gosto tanto desse teu disco que me esqueci que participei dele

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