Categoria: Coluna

29 de agosto de 2017 /

No centro do quadro, largado em cima de um sofá velho empurrado num canto de uma sala escura com paredes mal acabadas, Juninho lê em voz alta uma carta escrita por ele: “caro Cezinha filho da puta, você tá ligado que você é um cara muito importante pra nós e eu também quero te dizer que você é um cara…

Leia MaisOs decibéis da nossa dor

14 de agosto de 2017 /

JUNTAR* O artista sem obras atua, em constante estudo e autodesignação, dentro de uma concepção de arte que tende a se perder quando extrapola seus limites, levando a preencher consigo mesmo nosso mundo. Trata-se de uma abordagem de arte, e de artista, que encara e manipula a tensão que engloba o trágico da vida cotidiana e suas potencialidades; que se…

Leia MaisPequeníssimo manual para sobreviventes artistas sem obras

30 de junho de 2017 /

Em 1922, com a chegada dos Turunas Pernambucanos à cidade do Rio de Janeiro, inicia-se a segunda onda de música nordestina a tomar conta do Sudeste do país: uma consequência direta do sucesso e influência de artistas como João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense no ambiente cultural carioca, desde a primeira metade dos anos 1910. O auge desta onda…

Leia MaisPor uma discografia nordestina: 1920-1927

22 de junho de 2017 /

Tom Jobim e Vinicius de Moraes compuseram A Felicidade, especialmente para a trilha sonora de Orfeu Negro, filme do diretor francês Marcel Camus lançado em 1959, premiado com a Palma de Ouro em Cannes e com o Oscar de melhor filme estrangeiro. Segundo Ruy Castro em Chega de Saudade, seu livro sobre a história da bossa nova, a canção foi…

Leia MaisFelicidade sim, a grande invenção do carnaval

5 de junho de 2017 /

As tradições populares surgem para atender necessidades fundamentais daqueles que delas participam. Se formatam pelos repetitivos fazeres ao longo do tempo e guardam preciosos princípios que, no meu entender, estão intimamente conectados com os princípios que regem a natureza. O que me leva a óbvia, mas também esquecida e negligenciada constatação de que nós, seres humanos, também somos natureza. Esse…

Leia MaisA gente se encontra na pulsação

25 de maio de 2017 /

Uma fotografia, feita em 1865, retrata o jovem Lewis Payne. Ele tentara assassinar o Secretário de Estado dos Estados Unidos, W. H. Seward. O fotógrafo Alexander Gardner encontrou Payne algemado na cela, aguardando o momento em que seria enforcado. Sobre ela, Roland Barthes escreveu: “Eu leio ao mesmo tempo: isso vai acontecer e isso já aconteceu”. O estupor: Payne vai…

Leia MaisQuantas vezes o cinema há de morrer?

4 de maio de 2017 /

Difícil principiar esta escrita, já tantas vezes enunciada e materializada em fala nas tantas situações de sala de aula, de elucubrações de boteco; nas discussões após apresentações de trabalhos em congressos acadêmicos e bate-papos após espetáculos teatrais. E me delongo neste introito justamente para ganhar tempo e, quem sabe, alguma maior disposição do leitor (Afinal: “palavras sedutoras/ são caminho/ de…

Leia MaisA Teoria é uma ficção do pensamento

25 de abril de 2017 /

Sambas Do Absurdo é o resultado do encontro de três artistas centrais na música popular brasileira contemporânea, cada um deles, a seu modo, renovadores da linguagem da canção em nosso país. De modo esquemático, identificarei assim o papel de cada um neste trabalho: o compositor Rodrigo Campos, o produtor Gui Amabis e a intérprete Juçara Marçal. Criadores de muitos recursos,…

Leia MaisManhã sem serventia

24 de março de 2017 /

estava estudando as culturas aborígenes e fiz o meu primeiro didjeridu com um amigo, aqui em casa mesmo. daí fui me interessando pelas histórias das culturas em relação aos instrumentos musicais e fui colecionando contos e mitologias que sempre remetem a uma coisa superior, mágica, ou a criação de alguma coisa. eu sinto que a música tem esse lado de…

Leia Maisom #3 victor aya, o som e a consagração da natureza

21 de março de 2017 /

Boa noite pra quem chegou Boa noite pra quem vai chegar Peço licença ao senhor Dono desta casa pra poder entrar Alegria e gratidão de fazer parte desse espaço que faz um contraponto fundamental nos atuais dias de golpe da nossa nação. O que normalmente registro em palavras escritas está muito ligado ao meu movimento pessoal e ao meu momento…

Leia MaisA gente se encontra na rua

17 de março de 2017 /

A mais bela frase já pichada num muro é a seguinte: “Sous les pavés, la plage.” É como dizer: o mais belo plano do cinema é aquele do varal de roupas balançando no vento em Ordet, de Dreyer. Ou que a coisa mais linda feita com tintas foi a tela Sobre a cidade (1924), de Marc Chagall. Ou que nada,…

Leia MaisA beleza, essa coisa subversiva

12 de março de 2017 /

(Parti faz 30 anos, fui Desmesura em tudo e sigo incomodando) Muito contentemente inauguro este espaço de diálogo na Outros Críticos, uma iniciativa que acompanhei e admirei desde o início. Compor este time, então, é uma festa. E para principiar, então, não podia deixar de falar desta verdadeira obsessão que tem sido estudar, completam-se agora por dezessete anos, o universo…

Leia MaisMuito prazer, Copi!

11 de março de 2017 /

De tempos em tempos um antigo questionamento nos assombra (como os sons da casa à noite quando estamos sozinhos): de que forma podemos compreender o nosso tempo presente, com que ferramentas conceituais, que instrumentos podemos lançar mão para dar conta da complexidade de fenômenos que somados, costurados, entretecidos e sobrepostos compõem o que percebemos como nossa realidade? Com essa intenção…

Leia MaisO que pode o corpo – Parte I