Categoria: Artigo

25 de maio de 2017 /

Uma fotografia, feita em 1865, retrata o jovem Lewis Payne. Ele tentara assassinar o Secretário de Estado dos Estados Unidos, W. H. Seward. O fotógrafo Alexander Gardner encontrou Payne algemado na cela, aguardando o momento em que seria enforcado. Sobre ela, Roland Barthes escreveu: “Eu leio ao mesmo tempo: isso vai acontecer e isso já aconteceu”. O estupor: Payne vai…

Leia MaisQuantas vezes o cinema há de morrer?

25 de abril de 2017 /

Sambas Do Absurdo é o resultado do encontro de três artistas centrais na música popular brasileira contemporânea, cada um deles, a seu modo, renovadores da linguagem da canção em nosso país. De modo esquemático, identificarei assim o papel de cada um neste trabalho: o compositor Rodrigo Campos, o produtor Gui Amabis e a intérprete Juçara Marçal. Criadores de muitos recursos,…

Leia MaisManhã sem serventia

20 de abril de 2017 /

Este texto é o primeiro de uma série de oito artigos que propõem o levantamento de uma discografia da música produzida por compositores e intérpretes nordestinos, partindo da fase inicial da indústria fonográfica brasileira, em 1902, e chegando até o final do século XX. Não se trata de uma lista de “melhores discos”, nem mesmo de uma discografia técnica e…

Leia MaisPor uma discografia nordestina: 1902-1919

19 de abril de 2017 /

CAMINHAR* A arte seria garantia de sanidade? Desculpe-me, madame Bourgeois, não estou certa disso. A vida, e a espécie humana herdeira de emanações interestelares, precede a arte. Pois, se a arte é via para bem-estar e alívio imediato, é também indício da existência limitada em que nos metemos. Parece simpática, e lógica, a ideia de que toda prática artística tenha…

Leia MaisPequeníssimo manual para sobreviventes artistas sem obras

1 de abril de 2017 /

Me pediram para escrever um ensaio para essa tão ilustre edição #12 da revista Outros Críticos, mas não qualquer ensaio, um texto que verse sobre a “arte” e|na|pela|pra “periferia”, uma vez que não poderia ter sido escrito por outra jornalista. Desejo então falar do meu lugar próprio, meu lugar de fala sem subterfúgios  ─ mesmo não estando em casa agora,…

Leia MaisRezo pelo dia em que “presídio” saia do vocabulário da periferia

14 de fevereiro de 2017 /

Eu pensei em propor um diálogo aberto com este texto; e, por isso, eu o entendo como uma continuidade de conversas que venho tendo com diversas pessoas e a possibilidade das reflexões serem desdobradas no futuro – inclusive, repensando pontos e abrindo a alma para recuar em alguma coisa dita. Contudo, como conversa que a gente pega pelo caminho, engata…

Leia MaisSomos um terreno permeado de

7 de fevereiro de 2017 /

“Quando decidi fazer um disco, olhei pra mim pra ver o que eu tinha de mais intenso e mais verdadeiro pra mostrar, e me deparei com um processo de empoderamento, de me assumir e gostar de mim do jeito que eu sou, do meu cabelo. Não só fisicamente, mas da minha identidade. E a Elza [Soares] estava sempre presente nesse…

Leia MaisCorpos políticos, corpos empoderados

25 de janeiro de 2017 /

Nessa terceira e última escrita para os Outros Críticos faço um movimento de insistir em algumas questões levantadas em minha última coluna. A insistência aqui revela uma ação política de sustentar um diálogo até emergir algo diferente. As perguntas que me atravessam nesse momento continuam sendo mobilizadas pelo atual momento político, pelas relações que nele acontecem e por pensar como…

Leia MaisInxistência: descolonizar, reaprender a estar, insistindo

8 de janeiro de 2017 /

Saudações multicolores! Confesso, amigos: meio sem saber sobre o que escrever para esta (talvez) última contribuição para Outros Críticos, topo por acaso com uma edição recente da ARTFORUM trazendo, entre seus textos, uma matéria do artista Joseph Grigely sobre “Soundscaping” (Soundscape). Como devem lembrar, “Paisagem Sonora” foi também o tema da 3ª Edição de Outros Críticos (em 2014). O fato…

Leia MaisSe olhas uma imagem tempo suficiente, ela começa a emitir sons

4 de janeiro de 2017 /

“a arte é o que resiste, ainda que não seja a única coisa que resiste”. (“o que é o ato de criação?”, giles deleuze) primeiro movimento — eu não gostaria de catalogar os artistas em “música política”, “canção crítica” ou mesmo me pôr num “tribunal” da crítica pra limitar e colocá-los sobre a mesma seara. mas em síntese, eu penso…

Leia Maismicronarrativas dos sons lá fora

20 de dezembro de 2016 /

Minha primeira lembrança musical remete à canção “Aos Pés da Cruz”, dos compositores Zé da Zilda e Marino Pinto. Não a formidável gravação de Orlando Silva que tocava sempre em casa, mas a inesquecível performance de meu pai lavando louça. Sendo esta sua única tarefa doméstica, meu pai a desempenhava com indisfarçável entusiasmo, desfilando um precioso repertório que ele aprendeu…

Leia MaisPode isso?

14 de dezembro de 2016 /

preparação não seria possível isolar um pretenso texto que partiria da obra sonora delivered in voices – exposta e vivida como residência artística por diversos músicos e artistas durante a última edição do festival novas frequências, no rio de janeiro, em dezembro de 2015 – do fato de seu criador, o artista visual tunga, ter falecido enquanto a estrutura deste…

Leia Maisvozes, canto, bocas, coletivos: ALGARAVIA

6 de dezembro de 2016 /

Esse texto emerge de alguns acontecimentos que estão me atravessando nos últimos tempos: o atual momento político no Brasil, minhas vivencias no mestrado na UFBA, a experiência como espectadora do espetáculo “Resistir”. O que tange todas elas? O corpo como política. Uma discussão sobre repetição e sentido. E a resistência como movimento, atuando diante de um sentimento de mal estar.…

Leia MaisRESISTÊNCIA: corpo, repetição e sentido