Autor: Carlos Gomes

Escritor, pesquisador e crítico. É editor e curador dos projetos do Outros Críticos, mestre em Comunicação pela UFPE, com estudo comparado do tropicalismo e manguebeat, e autor do livro de contos "corto por um atalho em terras estrangeiras" (2012) e dos livros de poesia "êxodo," (CEPE, 2016) e "canto primeiro (ou desterrados)" (2016).
30 de maio de 2016 /

Gritar é exasperar a potência do canto. Essa é a primeira tese que encontrei para começar a escrever sobre a experiência de assistir ao show Encarnado de Juçara Marçal, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Thomas Rhoner durante a 20ª edição do festival Rec-Beat, em Recife-PE, na pletora de alegria que é o carnaval pernambucano. Relembrar o grito de Juçara é…

Leia MaisEncarnado é para os fortes

24 de fevereiro de 2016 /

a máscara da linguagem O velho grandioso e solitário cambaco Vicente Barreto, compositor e violonista, está novamente dizendo canções – após 10 anos sem lançar discos – ao lado dos músicos Kiko Dinucci, Romulo Fróes, Rodrigo Campos, Marcelo Cabral, Thiago França, Juçara Marçal, Sérgio Machado e do seu filho Rafa Barreto. Mas a estória que desejo contar não é sobre…

Leia MaisUns ventríloquos,

10 de fevereiro de 2016 /

Parte I – Isso é o mais próximo que eu estive de Ivete Sangalo (risos). – (risos) É ela, cantando ali? O que deverá pensar a cantora estando tão próxima e, ao mesmo tempo, tão distante do Carnaval de Pernambuco, enquanto canta dentro de um camarote, no bairro do Recife? A distância de uma caminhada separa este camarote do carnaval…

Leia MaisRec-Beat 2016: que essa ilha não seja tomada

29 de janeiro de 2016 /

A história da música, mas que naturalmente poderia ser abrangida para a história das artes; no caso específico da música brasileira, há em sua trajetória registrada em livros, discos, partituras, oralidade, cantos, instrumentos, jornais, revistas, espaços de apresentação, estórias etc., um movimento repleto de cortes, rupturas e fissuras em suas narrativas canonizadas. Sejam elas as legitimadas pelos grupos hegemônicos de…

Leia MaisNão existe amanhã pra mim

19 de janeiro de 2016 /

A música percorre um caminho de inquietação e reverência à palavra e aos sons delirantes das ruas. As relações de poder contaminam os espaços com o desejo explícito de segregar o que não cabe no gesto, nas cercas, nas noções de normalidade. A rua é viva e sem centro. A música é marginal, anormal, louca e deslumbrante. No entanto, torná-la…

Leia Maisentrevista: Siba

10 de dezembro de 2015 /

Nazaré da Mata, Pernambuco, De Baile Solto. O músico Siba conversa com policiais militares durante uma noite de ensaio do Maracatu Estrela Brilhante de Nazaré da Mata, do qual o artista faz parte, na tentativa de convencê-los a seguir com a festa até o amanhecer, como sempre fazem, tradicionalmente, as sambadas dos maracatus, já que a intenção da polícia era…

Leia MaisSiba: de baile solto, como ave de rapina

2 de dezembro de 2015 /

por Carlos Gomes. É curioso que um dos heterônimos mais intrigantes de Fernando Pessoa, aquele que escreve no poema “Tabacaria” os versos: “Quando quis tirar a máscara,/ Estava pegada à cara./ Quando a tirei e me vi ao espelho,/ Já tinha envelhecido”, tenha o mesmo sobrenome de nosso entrevistado. Tal coincidência se revela enriquecedora por Pessoa e suas máscaras-personagens, a…

Leia Maisentrevista: Rodrigo Campos

22 de outubro de 2015 /

por Carlos Gomes. “Nascer não é antes, não é ficar a ver navios, Nascer é depois, é nadar após se afundar e se afogar.” SARGAÇOS, Wally Salomão temas e fissuras De dentro da sala pouco aconchegante do local de trabalho da personagem a quem iria entrevistar, e que tratarei, neste texto, simplesmente como Ela (pronome pessoal que muitas vezes se…

Leia MaisPorque eu é um Outro

25 de julho de 2015 /

por Carlos Gomes. Escrever estritamente sobre música já não é possível. Os sons, muito mais os sons, se impõem crítica, cultural e politicamente sobre a escrita. Categorias como artigo, ensaio ou resenha são diluídas, assim como as cidades que se inscrevem sobre cidades produzindo novas camadas de sentido. Raspar as superfícies delas e descobrir embaixo de sua crosta o corpo…

Leia MaisCidade suspensa, sons remotos

5 de junho de 2015 /

por Carlos Gomes. A música para Hugo Linns é um estado de vigília. Permanentemente um solitário colhendo as influências que o cercam e reconstruindo uma tradição que não é autorreferente, mas contaminada pelas coisas do mundo. O silêncio dos mais velhos que, mesmo negado, incomoda, mas estimula as experiências para com a música, não dá aos mestres o direito de…

Leia Maisentrevista: Hugo Linns

8 de maio de 2015 /

por Carlos Gomes. (Arrastão de JMB) São Paulo, tempo possível e uma canção ruidosa. Da janela do meu ônibus não haverá enquadramento. Arrastar os dedos na tela, nas cordas. Sentir-se preso em casa. Permanecer preso em torno de mais ou menos 50m² e Ser feliz.   São Paulo, quatro compositores e uma estética que expande a cidade. Era a periferia,…

Leia MaisA cidade cai, o passo é torto

15 de abril de 2015 /

por Carlos Gomes. Os olhos estão cada vez mais negros. Escutar é fitá-los sem receio deles nos atravessarem. A voz concentra e expande um punhado de palavras e imagens como rebentação. Estar em seu contato é saber-se perto do precipício. Como de costume, a cantora, compositora e percussionista Alessandra Leão envolve o ouvinte num emaranhando de referências vivas e estimulantemente…

Leia Maisentrevista: Alessandra Leão

6 de abril de 2015 /

por Carlos Gomes. Paulo Paes transita entre Recife e Olinda. Suas canções rebatem uma lírica afetuosa repleta de cores cinzas – como ruas, ruído, fumaça e solidões – num mar imenso, verde, azul e ensolarado. “Porque o samba é a tristeza que balança.” E ao identificar sua trajetória artística entre essas duas cidades, com seus avessos, suas particularidades e poéticas…

Leia Maisentrevista: Paes